Sem lei nem Rei, me vi arremessa
bem menino a um Planalto pedregoso.
Cambaleando, cego, ao Sol do Acaso,
vi o mundo rugi. Tigre maldoso.
O cantar do sertão, Rifle apontado,
vinha malhar seu Corpo furioso.
Era o Canto demente, sufocado
rugindo nos Caminhos sem sem repouso
E veio o Senhor: e foi despedaçado!
E veio o Sangue: o marco iluminado,
a luta extraviada e minha grei!
Tudo apontava o Sol! Fiquei embaixo,
na Cadeia que estive e em que me acho,
a Sonhar e a cantar, sem lei nem Rei!
Ariano suassuna. Infância
Marii Freire
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Imagem: pinterest/ Tempo de Delicadeza
Santarém, Pá 8 de junho de 2023

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