” Teu ar, teu gesto, tia fronte
São belos qual bela
paisagem;
O riso brinca em tua
Imagem
Qual vento fresco no horizonte.
A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus
braços.
As fulgurantes, vivas cores
De tudo vestes indiscretas
Lançam no espírito dos
poetas
A imagem de um balé de flores.
Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem
enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!
Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer- se contra mim;
E humilhado pela beleza
Da primavera ébrida de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolvência da Natureza.
Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia dia,
Às frindes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,
Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Imagem larga e funda ferida,
E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios veementes,
Mais deslumbrantes, mais
ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!
Charles Baudelaire. A Que Está Sempre Alegre.
Poesia.net 3 ( alguma.poesia.com.br)
Marii Freire Pereira
https://pensamentos.me/ VEM comigo!
Imagem: Pinterest. Susana Tarquinio
Santarém, Pá 17 de novembro de 2020

Que bom ter um “pedacinho” de vários autores por aqui, infelizmente não teremos tempo de visitar todos, mas temos aqui pequenas doses de vários grandes nomes, legal!
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