Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha
Hoje, dos meus cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de
estrada!
Pois dessa mão avaramemte adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula é triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
Mario Quintana. A Rua Dos Cataventos
escritas.org
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem: Dulce Helfer/ Correiodopovo.com.br
Santarém, Pá 29 de Julho de 2020

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