O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas, só a que eles não tem.
E assim nas calhas de roda.
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa. Autopsicografia.
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem: Pinterest. Ponte Vasco da Gama/ Hagel Jorge em fivehundredpx
Santarém, 22 de Julho de 2020

“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”
Gosto tanto de Fernando Pessoa, e aqui, ele diz tudo. É um dos meus poemas favoritos dele, creio que é muito representativo do que nós todos somos.
Um abraço.
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