” Sou apenas um homem
Um homem pequenino à beira de um rio.
Vejo as águas que passam e não as compreendo.
Sei apenas que é noite porque me chamam casa.
Vi que amanheceu porque os galos cantam.
Como poderia compreender- te, America?
É muito difícil.
Passo a mão na cabeça que vai embranquecer.
O rosto denuncia certa experiência.
A mão escreveu tanto, e não sabe cantar!
A boca também sabe.
Os olhos sabem – e calam-se.
Ai, América, só suspirando.
Suspiro brando, que pelos ares vai se exalando.
Lembro alguns homens que me acompanhavam e hoje não
[ acompanham.
Inútil chamá-los: o vento, adoenças, o simples tempo
dispersaram esses velhos amigos em pequenos cemitérios…”
Carlos Drummond de Andrade. América. A Rosa Do Povo. Círculo do Livro. São Paulo. 1945
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Imagem: Pinterest. ginmar.tumblr.com
Santarém, Pá 4 de julho de 2020

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