” Os olhos que me intrigam, olhos que me denunciam,
Da cauda do pavão, tão pesada e ilusória.
Não posso continuar mais, não tenho, porque os homens
Não querem me ajudar no meu caminho.
Então a cauda se abriria orgulhosa e reflorescente
De luzes inimagináveis e certezas…
Eu não seria tão- somente o peso deste meu desconsolo ‘,
A lepra do meu castigo queimado desta epiderme
Que encurta, me encerra e me inutilizar na noite,
Me revertendo minúsculo à advertência do meu meu rio.
Escuto o rio. Assunto estes balouços em que ório
Murmura num banzeiro. E contemplo
Como apenas se movimenta escravizada a torrente,
E rola a multidão. Cada onda que abrolha
E se mistura no rolar fatigado é uma dor. E o surto
Mirim dum crime impune…”
Mário de Andrade. A Meditação sobre o Tietê. ( Seleção de Textos). Editora Nova Cultural. São Paulo, 1990
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Imagem: Arquivo pessoal
Santarém, Pá 18 de junho de 2020

E o Rio segue anunciando a vida e as transmutações..
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Excelente Ananda!
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