O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entender a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa. Autopsicografia.
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem: Mar da Palha, Instagram, vitor belanciano
Santarém, Pá 7 de junho de 2020

ah, coração!
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Lindo esse poema… para fechar o domingo. Beijos!
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Bravo Nicole!👏👏👏
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