Neste mundo é mais rico, o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa:
Com sua língua ao nobre o vil decepa:
O Velhaço maior sempre tem capa.
Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa:
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.
A flor baixa se inculca por Tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa:
Mais inseto se mostra, o que mais chupa.
Para a tropa do do trapo faz o a tropa,
E mais não diga, porque a Musa topa.
Em apa, epa, ipa, opa, upa.
( In: Antônio Dimas.org. Gregório de Matos. São Paulo. Abril Educação. 1981. p.37 )
Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual. São Paulo, 2013
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem: Pinterest, Largo do Pelourinho- JRRH
Santarém, Pá 5 de junho de 2020

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