Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
Comprida história que não acabo mais.
No meio- dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala_ e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
_ Psiu…Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro…que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no Mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonito que a de Robinson Crusoé.
Carlos Drummond de Andrade. Infância. Literatura Comentada. Nova Cultural.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 28 de maio de 2020