” Se não tenho outra voz que descobre
Em ecos doutros sons este silêncio
É falar, ir falando, até que sobre
A palavra escondida do que penso.
É dizê-la, quebrando, entre desvios
De flecha que a si mesma, se envenena,
Ou mar alto coalhado de navios
Onde o braço afogado nos acena.
É forçar para o fundo uma raiz
Quando a pedra cabal corta caminho
É balançar para cima quando diz
Que mais árvore é tronco mais sozinho…”
José Saramago. Se Não Tenho Outra voz. Os passíveis. Editora Portugalia, 1966
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem: UFMG
Santarém, Pá 3 de maio de 2020

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