José Saramago

Se não tenho outra voz que descobre

Em ecos doutros sons este silêncio

É falar, ir falando, até que sobre

A palavra escondida do que penso.

É dizê-la, quebrando, entre desvios

De flecha que a si mesma, se envenena,

Ou mar alto coalhado de navios

Onde o braço afogado nos acena.

É forçar para o fundo uma raiz

Quando a pedra cabal corta caminho

É balançar para cima quando diz

Que mais árvore é tronco mais sozinho…”

José Saramago. Se Não Tenho Outra voz. Os passíveis. Editora Portugalia, 1966

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: UFMG

Santarém, Pá 3 de maio de 2020

Publicado por VEM comigo!

⚖️ Bacharela em direito, Pós - graduada em Direito Penal e Processo Penal. 📚 Autora: MULHER Do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais e O Amor Verdadeiro Contesta. Ambas as obras são lançadas em parceria com a Editora Viseu/ Brasil. . Palestrante