É certo que me repito,
é certo que me refuto
e que, decidido,hesito
no entra – e sai de um minuto.
É certo que irresoluto
entre o velho e o novo ritmo,
atiro à cesta o absoluto
como inútil papelito.
É tão certo que me aperto
numa tenaz de mosquito
como é tinta vezes certo
que me oculto no meu grito.
Certo, certo, certo, certo
que mais sinto que reflito
as fábulas do deserto
do raciocínio infinito.
É tudo certo é prescrito
em nebuloso estatuto.
O homem, chanar-lhe mito
não passa de anacoluto.
Carlos Drummond de Andrade, Confissão (Texto Selecionados, Literatura Comentada)
Marii Freire Pereira
VEM comigo!
Imagem: Google
Santarém, Pá 23 de abril de 2020