Aqui morava um rei quando eu era menino
Vestia ouro e castanho no gibão,
Pedra da Sorte meu Destino,
Pulsava junto ao meu, seu coração.
Para mim, o seu cantar era Divino.
Quando ao som da viola e do bordão
Cantava com rouca, o Desatino,
O Sangue, o riso e as mortes do Sertão.
Mas mataram meu pai. Desde esse dia
Eu me vi, como cego sem meu guia
Que se foi para o Sol, transfigurado.
Sua efigie me queima. Eu sou a presa.
Ele, a brasa que impele ao Fogo acesa
Espada de Ouro em pasto ensanguentado.
Ariano Suassuna, Aqui morava um rei
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VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, 17 de abril de 2020