Fernando Pessoa

” Não sei quantas almas tenho.

Cada momento mudei.

Continuamente me estranho.

De tanto ser, só tenho alma.

Quem tem alma não tem calma.

Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não sou.

Cada meu sonho é desejo

É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem,

Assisto à minha passagem,

Diverso, móbil e só,

Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser

O que segue não prevendo,

O que passou a esquecer.

Noto à margem do que li

O que julguei que senti.

Releio e digo: <<Fui eu?>>

Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa, Novas poesias Inéditas. Lisboa, 1993.

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem: Pinderest

Santarém, Pá 14 de abril de 2020.

Publicado por VEM comigo!

⚖️ Bacharela em direito, Pós - graduada em Direito Penal e Processo Penal. 📚 Autora: MULHER Do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais e O Amor Verdadeiro Contesta. Ambas as obras são lançadas em parceria com a Editora Viseu/ Brasil. . Palestrante

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