” Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não sou.
Cada meu sonho é desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: <<Fui eu?>>
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa, Novas poesias Inéditas. Lisboa, 1993.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Imagem: Pinderest
Santarém, Pá 14 de abril de 2020.

Perfeito!
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