Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do acaso servem insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudaram para cisco.
A minha independência tem algemas.
Manoel de Barros. Poesia Completa, São Paulo, 2011.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 10 de abril de 2020