Em ti o meu olhar fez-se alvorada,
E a minha voz fez-se gorjeio de ninho,
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura pálida do linho
Embriagou-me o teu beijo como vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada,
E a minha cabeleira desatada
Pos a teus pés a sombra dum caminho
Minhas pálpebras são cor de verbena
Eu tenho os olhos garços, sou morena
E para te encontrar foi que nasci…
Tem sido vida fora o meu desejo,
E agora, que te falo, que te vejo
Não sei se te encontrei, se te perdi…
Florbela Espanca, Realidade. In: Charneca em Flor ( volume de poema publicados , após sua morte, 1931)
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Imagem: via Facebook
Santarém, Pá 9 de abril de 2020

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