Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que ao redor tudo era silêncio e treva. E me sentia bem naquela solidão. Na embarcação desconfortável, tosca, apenas quatro passageiros. Uma lanterna nos iluminava com sua luz vacilante: um velho, uma mulher com criança e eu. […]
Debrucei- me na grade de madeira carcomida.
Acendi um cigarro. Ali estávamos os quatro, silenciosos
com mortos num antigo barco de mortos deslizando
na escuridão. Contudo, estávamos vivos. E era Natal.
Lygia Fagundes Telles, ” Natal na barca”. In: Antes do baile verde. Rio de Janeiro, 1979.
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Imagem: Paulo Magalhães/ Getty
Santarém, Pá 7 de abril de 2020

Bom dia amiga… uma Feliz Pascoa … muito bacana o teu blog . Bj
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Bom dia, Rosangela!
Fico feliz que tenha gostado.
Feliz Páscoa!!
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