” Remexo com um pedacinho de arame nas minhas memórias fósseis.
Tem por lá um menino a brincar no terreiro
entre conchas, ossos de arara, sabugos, asas de caçarolas etc.
E Tem um carrinho quebrado de bordo
No meio do terreiro.
O menino cantava dois sapos e os botava a arrastar o carrinho.
Faz de conta que ele carregava areia e
pedras no seu caminhão.
O menino também puxava, nos becos de sua aldeia, por um
[barbante sujo, umas latas tristes.
Era sempre um barbante sujo.
Era sempre umas latas tristes.
O menino hoje é um homem douto que trata com
física quântica.
Mas tem nostalgia das latas.
Tem saudades de puxar por um barbante sujo
umas latas tristes.
Aos parentes que ficaram na aldeia esse homem
encomendou uma árvore torta…
Para caber nos seus passarinhos.
De tarde os passarinhos fazem árvore nele.”
Manoel de Barros ( fragmento 14, do livro Para encantar o azul eu uso pássaros. Apud Bravo!, junho 1998.)
Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar, ano: 2013
VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 6 de abril de 2020
Bravo!👏👏👏 eu fiquei simplesmente, maravilhada com esse Manoel. Mexeu com a minha lembrança pueril!…
Manoel consegue agregar riqueza a simplicidade do que descreve. Adoro o trabalho dele.
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