Para cantar de amor tenros cuidados,
Tomo entre vós, ó montes, o
instrumento;
Ouvi pois o meu fúnebre lamento;
Se é que de compaixão sois animados:
Já vós vistes, que aos ecos magoados
Do trácio Orfeu parava o mesmo
vento
Da lira e Anfião ao doce acento
Se viram os rochedos abalados.
Bem sei, que de outros gênios o
Destino,
Para cingir de Apolo a verde rama,
Lhes influiu na lira astro divino,
O canto, pois, que a minha voz
derrama,
Porque ao menos o entoa um peregrino,
Se faz digno entre vós também de fama.
Cláudio Manuel da Costa
Publicado no livro Obras ( 1768)
Publicado por: VEM comigo!
Marii Freire Pereira
Santarém, Pá 12 de março de 2020