Mulheres que foram e são chamadas de ” loucas” por favor, continuem acreditando na sua sanidade mental. O louca que os homens vos atribuem, não passa de estratégia para desqualificar vocês, não por estarem erradas. Mas, por eles não assumirem as suas faltas.
Muitas coisas trouxeram você até aqui. Nota-se que, das experiências dolorosas, você adotou uma postura rígida, autêntica, atrelado a comportamento ” menos prosaico”. Das mais doces, aquelas que você não negocia, que ” te pega de jeito” e nos momentos difíceis, te faz lembrar de quem é. É bom refletir sobre essas coisas; como é bom se despedir daquelas que da última vez, não te revestiram de nada. É bom ficar em casa, “arrumar a bagunça”, responder com carinho aqueles minutos que o tempo se apresentou cheio de afeto. Acolher com sabedoria, os momentos que cria condições para ajuda- nos a ser quem somos. Nós, como seres humanos, vivemos uma série de experiências ao longo da vida, seja caminhando por diferentes ruas, mexemos em tantas tramas, manifestamos tantas formas de nós, construímos e descontraídos esse fio dos sonhos que nos ajuda a viver o agora. Sempre em movimento, a gente se banha e se descobre na outra margem do rio e, dependendo das circunstâncias, se caminha até um pouco mais que isso. Às vezes devagar; um tanto quanto rápido demais. Afinal, conhecer- se é também realizar- se. A vida se faz nesse emaranhado de encontros e desencontros, de nossas escolhas, de nossas ações, comportamentos, palavras de sabedoria, instantes de compreensão que servem de inspiração para uma vida, não diria perfeita, mas coerente; graça ao que nos permite sonhar e lutar. E aqui, cito um último detalhe como o mais importante: aprender. Até no último pestanejar, se aprende, em especial, quando se olha para o lado de dentro; quando o horizonte que se mira, é o interno.
Marii Freire. Vida Imagem: Marii Freire/Mirante do Saubal
Amadurecer é um processo contínuo. Você passa por um refinamento individual, da narrativa, do comportamento e a própria maneira como lida com as bordas do mundo. Sem isso, o indivíduo, só troca de idade.
Uma mulher atualizada sabe ser imponente; educada- claro. Porém, seletiva, articulada, dona de um conhecimento ímpar. Portanto, não subestime a capacidade que ela tem em captar as coisas que acontecem a sua volta. Acredite: por ser criteriosa, defende com rigor seus valores e direitos. Para ela, saber se expressar bem, é uma obrigação simples, tanto quanto, aquele ” futebolzinho” de final de semana. Lúcida, pouco se acomoda com o que lhe acontece. Arriscar-se ao desconhecido é uma ordem no imperativo: vá! Evidente que, extraindo do caminho, todos os entulhos que a cerca.
” Os olhares se tornam cumpridos, espaçosos como sentimentos que se distraem, rumo ao que deseja a alma. Não satisfeitos, a gente espia novamente em direção ao que para nós, torna-se uma exigência e, descobre com a idade um conformismo, uma paz que mesmo observando certas paisagens, já não se cria expectativas sobre elas. “
Plante seus sonhos por dentro; regue- os todos os dias. Seja aquela pessoa que não negocia seus valores, mas que sempre procura manter- se firme perante as suas escolhas e virtudes. Entenda, não estou dizendo que ” mudar” não é bom. Muitas vezes, é preciso. Mas, saber quem somos, onde estamos e aonde desejamos ir, nos faz pessoas muito mais “alinhadas” aos nossos reais propósitos. Quando isso acontece, pode vir um vendaval na sua vida, que você encontra as respostas que precisa para se deslocar para onde tenha segurança, sem sucumbir ao acaso. Pois, quando a gente sonha, se faz um acordo silencioso com essa força maior que, você chama de Deus ou harmonia com o universo. Claro, é importante ressaltar que, nem todo mundo, sonha conosco. Mas, se apegando a isso, sem perceber, você inspira muita gente, inclusive, aquelas que nunca acreditaram em você.
Todas às vezes que uma mulher questionar algo, ela passa a se ouvir mais. O fato dela perceber que existe uma situação que a incomoda, seja desrespeito, uma forma de tratamento que ela não merecia, um acontecimento traumatico, coisas como: tapas, gritos, empurrões e outros. Essa mulher deve se perguntar o porquê daquilo. Por que ” fulano” agiu assim comigo? Por que o tratamento de silêncio? A distância pensada, articulada, criada estrategicamente? Você entende o que estou dizendo? São essas perguntas que, feitas de maneira corretas, vão te auxiliar; vão também criando condições para que a mulher se desloque para onde ela quer ir. Todas às vezes que uma pessoa dialoga com ela mesma, naturalmente, cria essa abertura para o próprio acolhimento e, certamente às limitações que precisa impor diante do que é desrespeitoso, e em muitos casos, desumano também. A medida que você questionar e não ” aceita” qualquer coisa que é posto à mesma, você aprende a fazer escolhas saudáveis.
” A violência contra a mulher, são ações propagadas não só pela fala, como na prática. De modo que, ela sente o peso tanto das ideias, como também do comportamento do companheiro/ companheira que expressa essa realidade dura, em alguns casos, por meio da força. “
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