A campanha agostolilas, visa conscientizar à mulher, a sociedade a respeito dos tipos de violência que devem ser combatidos, entre elas: a violência física, sexual, psicológica, moral, patrimonial, assim como os casos de assédio que são bastante comuns no dia a dia. O intuito é alertar e ensinar à mulher, como ela deve agir diante de uma situação como essa. A campanha também ressalta a importância da Lei Maria da Penha que oferece proteção legal para às mulheres que são vítimas de violência doméstica. É sabido que a violência é um problema crescente em nosso país. O Brasil ocupa o 5⁰ lugar no Ranking Mundial de Feminicidio, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. E quanto se alerta, se chama atenção para um problema como esse, é dizendo ” sociedade ” faça a sua parte”, denunciando os casos concretos ou seja, aqueles que estão próximos de você. Às vezes é a sua vizinha, uma amiga, alguém que você tem afinidade, é um parente. Em suma, a violência é um problema de todos.
A mensagem contida no cartaz é muito clara: ” NÃO ENSINEM MULHERES COMO NÃO SEREM ESTUPRADAS. ENSINEM HOMENS A NÃO ESTUPRÁ-LAS. “
E não chamo atenção sozinha para essa realidade, ela deve ser absorvida por todos; uma vez que a sentença sobre o estupro, pesa sobre os ombros das mulheres, sendo que elas é que são vítimas. Todavia, parece-me de uma clareza hídrica tal questão, avaliada inclusive, com um certo nível de loucura. Loucura “fabricada” pela própria sociedade, com o intuito de culpar, punir e enclausurar à mulher, como manifesto masculino de poder sobre seu corpo. É perigoso falar isso, obviamente, porque a sociedade vive em uma espécie de demência coletiva, pois ao invés de procurar fazer justiça sobre o autor do crime e o ato, pune veementemente, as vítimas, cometendo mais injustiças em relação a estas. Todavia, torno a dizer que, todo esse esforço voltado a desconstrução do direito da mulher, tem uma maior eficácia, sobre a codificação do que funciona melhor no “hospício” dos homens.
Eu, Marii que escrevo esse texto, tenho que pedir “desculpas” pela forma em que ele é construído, porque para algumas pessoas, isso parece “ofensivo” , enquanto que para outras, ele é claro demais. Afinal, se passar tudo isso num crivo, sobra fragmentos do que afirmo. Apesar, de termos uma legislação que nos faz avançar em relação aos nossos direitos, há uma sociedade que parece não querer lidar com essa realidade. O estupro não é culpa da mulher, do tamanho de sua saia ou do quanto ela ” se oferece” como muito se diz. Quem é responsável pelo estupro é o homem. Ora, se o próprio homem não é ciente disse fato, a mulher menos ainda, digo isso até por uma questão cultural. Claro, questão relacionada a educação. Durante muito tempo, as mulheres foram impedidas que de ter uma educação de qualidade como a que foi dada aos homens. Aprender o mínimo, e – quando aprendiam, já lhes parecia ser um ganho suficiente para atender alguns requisitos da sociedade, mas pensar, argumentar, lutar por seus direitos, isto é, outra história (…) que merece um vocabulário rico pela próprio peculiaridade que essa questão merece atenção.
“Não é a mulher que deve temer o estupro, é o homem que tem que olhar para ela e entender que não pode estuprá- la. Isso é uma questão de educação”, ponto.
Se esse detalhe não é trabalhado na criança desde a infância, o menino vai continuar compreendendo, através do método da educação masculina tradicional que pode tudo. Pode estuprar, pode continuar tratando a mulher como uma “vadia” que deve servi- lo, pode matar, pode …” constituir o poder sobre a vida ou não ” e a mulher, reafirmo: ” vai continuar não sendo respeitada, porque a lei só existe em forma de norma; na prática, ela não passa daquilo que existe no papel. O que prevalece neste caso, é a velha máxima, hoje não dita, mas compreensível, até por uma questão de costume, que é: ” vá para dentro de casa” , ” vista uma saia longa”, ” seja uma mulher de respeito…”. E uma vez vestindo saia longa, continuará sendo estuprada pelo marido, companheiro ou um “estranho” que mantenha qualquer tipo de vínculo com a família?, pergunto eu novamente: ” minto, não conheço a história ou os meus direitos?” Qual será a sentença que prevalece para uma mulher que não pode ser punida por falar a verdade? O detalhe é esse, a verdade. A sociedade tem dificuldades de lidar com ela. Todavia, a mudança que se deseja, só virá, se houver sensibilidade coletiva. O progresso que se deseja, só vem por meio dessa consciência humana. Não são os meios penais, é o quanto se consegue olhar para o outro/a outra e saber que ele/ela merece respeito.
” Enquanto a mulher procurar abrigo em lugares insalubres ou proteção, nos braços daqueles que são os seus maiores assassinos, estas, terão que se adequar a realidade que lhes convém. ”
Se a sociedade não muda a forma de como educa homens e mulheres, bem como os fatores que norteiam a questão de gênero, terá que lidar com os mesmos problemas, e com uma certeza já previsível sobre o futuro. Assim como, os mecanismos que usa para lidar com este, de modo que, nada do que aconteça, cause alguma surpresa. Não falo, por lidar com uma questão que se limita à evolução das próprias regras na sociedade. Mas por induzir a resistência à mudança.
” É olhando para dentro de si, que se descobre o sol do outro lado. Mas, antes que isso ocorra, é preciso avaliar o que existe por trás de cada sombra. “
Por que resolvi trabalhar com um tema tão espinhoso e ao mesmo tempo importante? Porque eu voltei o meu foco a família. E uma família não pode ser alicerçada em cima de maus – tratos, abusos e no último caso, violência, compreende? Uma mulher não tem que submeter-se a um tratamento inferior, dado por um homem. Hoje, nem por outra mulher. E se assim muitas vivem sob tal realidade, por que fazem isso? Onde a lei diz que uma mulher merece ser tratada dessa maneira? Se estamos falando de mudanças culturais e sociais, direitos inclusive, é preciso desatar os velhos nós e, parar de repetir também “velhos comportamentos” que teimam em persistir, reforçando diariamente, a prática da violência. Ora, grande parte de conflitos que nós mulheres sofremos, ainda se mantém por questões mínimas que poderiam ser combatidas com mais campanhas de esclarecimento do próprio governo ao povo. Claro, não estou dizendo que o governo não faça a sua parte, faz. Mas, falta investir melhor nessas campanhas para que homens e mulheres consigam absorver muitas dessas informações, sem que isso, venha causar estranheza. Não é difícil, mas possível imaginar a riqueza que isso produz em forma de imagem e sororidade. Como seria ótimo, a própria mulher estando atenta, discutindo mais, ao invés de se preocupar em só arrumar a própria casa; se que é que vocês me entendem. Marii, mas isso não resolve o problema da violência contra a mulher, eu sei! O problema é muito maior, mas já garante mudanças significativas. Só para você ter uma ideia quando se fala de violência, nós temos inúmeros exemplos. Eu poderia citar o assédio. O assédio é reflexo de uma cultura machista. Eu falo de práticas que podem ser vistas mais à fundo. O terrível é a própria mulher falar disso e as suas ideias serem distorcidas perante a realidade. Todavia, falarei porque é preciso chamar atenção aos perigos que vão além da superfície do que pode ser visto.
” Toda vez que me verem com essa mão levantada, significa que há uma mensagem de protesto nela.”
É preciso falar sobre violência; é preciso falar sobre as feridas que nos encomoda. E eu estou aqui para isso.
” Quanto menos conhecimento, mais injustiça se reproduz “. Ora, imagine aquela mulher ou “aquelas mulheres pouco escolarizadas” que não tem acesso a informação, vivem em locais de difíceis acesso nesse nosso Brasil gigante, que vivem relacionamentos abusivos e não sabem identificar o que é isso? Comprerndeu do que estou falando? Sim trabalhar com esse tema, é se deparar com diferentes realidades, assim como também dificuldades de chegar até essas mulheres, e principalmente, fazê- las entender que falta de respeito, maus tratos e a depender da situação, ” violência ” nao se tolera. Falar sobre violência; falar sobre empoderamento é importante para ajudá- las a sair de relacionamentos doentios. Coisas que, infelizmente, algumas mulheres têm uma resistência muito grande, quando se trata de pedir ajuda, denunciar o agressor e ” sair”, refazer as suas vidas.
O empoderamento feminino é uma forma eficaz de ajudar as mulheres que são vítimas de violência a dizer ” não ” a esse problema. A gente sabe que, quanto menos informação houver, mais injustiças acontecem. Então, quando se trabalha o autoconhecimento, a autoestima, auto- observação, além de outros fatores, na verdade, você cria possibilidades para essas mulheres enfrentarem seus medos e lutar por seus direitos. A educação abre inúmeras oportunidades, e o autoconhecimento, ajuda essas vítimas a olhar para dentro de si e compreender o que causa o seu sofrimento. Quando essas mulheres conseguem emergir de suas dificuldades, nesse sentido; é quando de fato, elas se sentem poderosas.
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