O incrível é a beleza que se encontra ao olhar para dentro, para o movimento das ondas. Ha algo enigmático que acalma e arrasta o olhar até o ponteiro do sol; fazendo com que em cada movimento, nos distanciemos de nós, e subitamente, se fique preso a paisagem, sem saber o que está por vir.
As mulheres já provaram que são capazes de muita coisa, inclusive influenciar seus maridos em diversas questões. Embora, quase não se fale nisso, o mundo também pode ser percebido sob essa ótica, aonde não prevalece só o poder e a força masculina. A mulher, além de resistir a muitas injustiças e preconceito tradicionais, ela lidara dentro de qualquer oportunidade que tiver. Evidentemente que, atrelado a essa questão, não se deseja que isso ocorra “ dentro de qualquer oportunidade”. A realidade é outra, e nesse caso, tem um abismo muito mais profundo e que a incomoda há muito tempo a todas nós. Na verdade, a mulher tem que ter uma participação maior na divisão do poder como de fato, isso deve ser; não somente em pequenos espaços da sociedade ou como participação menor, que é apoiando os interesses do marido. Aqui, chamo atenção a injustiça secular e muitas discussões sobre questões legais.
Igualdade de gênero
Há muita coisa que precisa ser tratada sem surpresa, como por exemplo, a luta pela igualdade de gênero. Quantas questões não despertam discussões calorosas sobre isso ? Inúmeras. Mais, eu chamo atenção sobre o que vai, além de amor e sacrifício; não são esses artifícios usados para sustentar a vida de um casal numa relação? E quanto a mulher e seus direitos? Há muita coisa que deve ser dado atenção para que não incorra, ainda em mais erros grotescos como os que se tem ao longo da história e que se luta para corrigir.
Se continuamos lutando por nossos direitos é porque estamos vivendo um momento em que isso é permitido. Nem sempre foi assim, mas não precisamos viver com medo; ser violentadas ou passar passar por sofrimentos desnecessários. Hoje, apesar de muitos avanços, e ter que ouvir onde é o nosso lugar-como sempre foi denominado, soa estranho. E não, não desejamos isso. A nossa luta, portanto , é sobre resistência
A resistência feminina, aponta “ o norte “ a ser seguido para a construção do nosso lugar e espaço na sociedade.
Sim, somos mulheres tecidas de coragem, que apesar das dificuldades, busca pelo ideal de justiça e igualdade. É um despertar importante para todas nós que, merecemos mais do que um reconhecimento simples. Queremos fazer diferença no mundo.
Ao apreciar o meu trabalho, o leitor irá observar alguns aspectos importantes descritos nos meus livros como a preocupação de manter uma linguagem acessível a todos, temas que evidencia a crueldade contida na violência doméstica, um espírito crítico, porque mais do que denunciar a violência, há uma preocupação maior que é, fazer com que as vítimas tenham a capacidade de pensar, refletir e encontrar as suas próprias respostas.
As minhas obras falam de dor, de angústia, crítica a forma de como a sociedade trata as mulheres, reproduz a violência; procurando sempre ampliar a visão sobre essa questão que tange as formas desumanas de disfarçar poder e controle nos recintos íntimos ou seja “ da porta para dentro “. A minha forma de falar, não fere, assim como não desrespeita. mas, ela é inconfundível dentro daquilo que procuro comunicar.
Hoje, o tema violência contra a mulher, tornou-se uma marca registrada para “ Marii Freire “, não pelo engajamento, que isso é mínimo. Mas, pela importância que esse tema tem diante de um país que, infelizmente, mais mata mulheres ( feminicídio), pelo simples fato de ser mulher. E a retórica em relação ao problema, ainda é a mesma ou seja, busca-se “ justificativas num passado com ideias que nos abandonam”. Isso é inaceitável nos dias atuais. O eco dessas diretrizes culturais pretéritas não condizem com os novos moldes que hoje nos abraçam. A minha visão critica, ela não é pessimista. Ela é sim, uma visão que faz uma leitura intrigante sobre essa questão ou seja. contrapõem-se; mostrando elementos novos diante de uma construção secular de abismo, onde por não querer abrir mão do poder patriarcal, continua-se “ jogando a mulher “ nessa escuridão à baixo “ e fazendo com que todos vejam que só há um palco para o protagonismo: o masculino. Todavia, essa é uma briga que também fala sobre a importância da contribuição feminina na história, porque não somos selvagens/ irracionais; somos seres gregários, antes de qualquer coisa. Portanto, não observar essa questão, é negar-nos. Mas não é negar qualquer coisa, é negar a nossa humanidade. E como disse “aquela escritora do século XVIII, e que não vou citar o nome dela, mas quem for realmente bom de história irá saber de quem falo, escreveu o seguinte : “ o poder dos maridos, assim como os dos Reis podem ser contestados “, é o que eu, Marii Freire, faço diante da estupidez de toda uma construção cultural que continua nos negando espaço, direitos e fala, como dito anteriormente.
Como escritora, a minha visão crítica sobre uma realidade limitadora que, infelizmente, “ prejudica “ as mulheres, é algo que sempre deve ser “ apreciado “ -, até porque uma falsa empatia sobre essa questão é tão danosa, como “ a força de tudo que nos arrasta para trás”. Eu não posso deixar de questionar, de criticar e dizer que essas dificuldades terríveis, devem ser tratadas com honestidade para que de fato, as mulheres tenham os seus direitos respeitados. Pois do contrário, só iremos continuar lendo notícias do aumento do feminicídio no país. Assim como, outras bizarrices. Não há dificuldades de lidar com o problema da violência contra a mulher, o que há na prática é, má vontade, má-fé e diversas outras situações que contribuem para não se possa avançar sobre essa realidade sangrenta.
Marii Freire. Descobrindo Aspectos das Obras de Marii Freire
Falar a respeito de violência contra a mulher, é sobretudo, chamar atenção para uma maneira cruel de lidar com a mulher na sociedade. Isso, inclui também formas pejorativas que alimentam essa “ crueldade velada” como uma forma de manifestar ao meu entender, uma espécie de “ punição “ que fere a sua dignidade como pessoa. Palavras maldosas que são usadas no cotidiano desde que, o mundo é mundo, e que vira motivo de chacota, desvalorização e “ obriga “ essa mulher passar por um julgamento moral, como se ela fosse menor em sua dignidade, do que qualquer outro ser humano na face da terra. Isso, macula a imagem de forma pensada, trazendo consequências negativas para o futuro da pessoa perante quaisquer outros membros da sociedade.
“ Quando se fala de violência, se chama atenção para a crueldade cotidiana, algo que vai além da agressão cometida contra a mulher “
As mulheres, ao longo da história, só tiveram algum respeito sob a ótica do homem ou seja, do masculino, porque na prática, elas sempre foram extensão de suas criações, ideias e leis. E não de si mesmas. Olhe para a mulher no passado e procure definir quem é esse ser. Vamos defina a figura feminina, defina! “ Nem Freud que tudo explica”, teve capacidade de resolver essa questão. Claro, era óbvio demais- isto é, fiel a si mesmo, a seus princípios e valores de homem, assim como o pensamento sustentado por grandes intelectuais de sua época, sempre aprisionaram a mulher a ignorância de todas espécies. Eram mais fácil moldar-se ao interesse da maioria, dos valores sociais e morais da época, do que olhar para a mulher como ser humano; como um ser ( não falo nem independente) , porque não se cogitava essa possibilidade, mas alguém que pudesse ter os seus direitos humanos respeitados.
Comparativamente, as minhas ideias com as de outrora, especialmente, aquelas que nos desprivilegiaram de nossos direitos, infelizmente, pode não fazer jus a maioria, mas estas, ainda tem muita força hoje. Pois, a violência não dar-se somente por meio da agressão; pelo contrário, ela é enraizada num passado tenebroso que ainda dita regras e procurar impor a forma do poder masculino à todo custo sobre muitas questões. E macular a imagem de uma mulher é uma delas, não é à toa que temos tantos crimes relacionados a honra.
Para mim, as mulheres que lutam contra esse tipo de crueldade são heróicas. E as que trabalham para combater todo tipo de violência, também. Esse é o nosso maior legado “ lutar” para continuar assegurando os nossos direitos, especialmente, numa sociedade que buscou destruir a nossa essência como mulher. Isso não se trata de drama, mas de um impacto que violou além de nossos valores, as nossas escolhas, sonhos e estilo de vida, assim como o respeito que tanto lutamos para assegurar para nós e para outras mulheres que certamente, irão precisar dele para continuar lutando.
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