ANDRADE, Carlos Drummond de. ( Literatura Comentada). Seleção de textos, notas, estudos biográfico, histórico e crítico por Rita de Cássia Barbosa. 3ª edição. São Paulo: Nova Cultural, 1990
Conhecido como uma das maiores heranças culturais que temos, os livros não guardam só informações, eles aguçam a nossa sensibilidade, ajuda a termos uma melhor percepção crítica em relação ao mundo, salva- nos do abandono, e potencializa ainda mais, essa eterna procura pela necessidade universal por respostas.
Como mulher eu já ouvi muita coisa; ouvi que eu não podia ” isto ou aquilo “, que deveria ser boa filha, esposa, que deveria atribuir importância a quem se preocupa comigo. Ok! Coragem, Marii…” Coragem!”. Nossa sociedade está estruturada dessa forma, digo “com esse degrau que nos separa dos nossos ideais “, que faz com que foquemos “no outro ” e ” nos outros “, de modo a sermos submissas, conformadas com certas formas de controles, sem poder ir muito longe, ou no máximo ao pé da porta (…), contemplando os sonhos que passam pelo outro lado da rua.
Bem, certamente, essa não eu sou. Eu sou de uma época onde se rompe com essa coisa do comportamento pragmático, atribuído à mulher. Eu gosto de ser livre para pensar, de lutar e buscar os meus próprios interesses. O papel da mulher na contemporaneidade, procurar torná- lá mais atuante dentro de seu próprio cenário, ao invés de reclusa.
Ao falar dessa nova realidade, de ter ciência do papel dessa mulher que fala, pensa e manifesta a sua vontade, isso instiga cada vez mais que devo ir em frente, tendo sempre a certeza de que ” podemos mais”. Claro, que graça teria termos avançado tanto em relação a conquista de nossos direitos, se não tivermos a oportunidade de lutar e fazer jus a nossa história, mesmo permeada em tantas situações que nos trazem transtornos irreparáveis? A mulher tem que lutar, sabe…não baixar a cabeça pra nada. Mulher tem que ter ousadia, porque só assim, ela faz justiça a sua história.
” Lugar de mulher é onde ela acredita ter capacidade para atuar. “
Hoje, mais do que nunca, a mulher tem lutando para ser reconhecida dentro do espaço que atua na sociedade. Ainda são espaços pequenos obviamente, quando comparados com os dos homens? São. E como sabemos, os desafios são muitos, principalmente quando se trata de lidar com o machismo. Neste caso, a mulher precisa potencializar cada a sua capacidade.
Para cada ” não ” que recebemos da vida, precisamos converter isso em episódios que nos favoreça. Ora, outro dia, uma pessoa ” dona de um perfil fake” disse- me que eu não sou habilitada para falar de direito porque, segundo ele, eu sou uma mera ” dotôra”, – termo paupérrimo que ele usou para definir uma Bacharela em Direito. Por aí, pode se perceber que a pessoa é leiga na área ou seja, não compreende nada referente aos bacharéis. Aliás, eu nunca escrevi em lugar nenhum do planeta que sou advogada. Ele só daria crédito a minha fala se eu de fato, eu fosse advogada. E por não ser, simplesmente, ” desdenhou” do meu trabalho. Como bacharela, eu posso escrever artigos na minha área sem ferir nenhuma norma. Na prática, é o que faço com frequência, isso inclusive, já me rendeu um livro: MULHER Do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais. Além, eu não escrevo só sobre direito, mas vários outros temas que também me disseram que eu nunca seria capaz de ser: Escritora porque nunca tive ” preparo” para isso.
Várias coisas, eu já escutei, ditas de uma forma generosamente, maquiavélica a meu respeito. Se eu dei importância a isso? Claro que não. Estudei 7 anos direito, isso não me faz tão leiga na área. Além disso, eu não me apresento como ” advogada ” porque não sou, e sim ” escritora ” porque é como de fato me sinto. Quanto a essa coisa de escrever, eu passei grande parte da vida com os livros ( estudei em bibliotecas públicas) por não ter dinheiro. Para você vê o que a falta de alguns recursos me trouxeram ( não foi sofrimento desnecessário), foi uma ligação íntima com os livros. Logo, escrever para mim é tão fácil, quanto o ato de respirar. Se não tenho aptidão é outra história. E isso não importa, temos escritores de toda natureza, desde aqueles que frequentaram bons lugares, nasceram em países ricos, mas também temos exemplos de pessoas simples, como a Carolina Maria de Jesus.
Eu sou uma mulher privilegiada por conseguir tanto, com os recursos que tenho, dentro do que me proponho a fazer. Milhões de pessoas não têm alternativas nesse mundo, a não ser desistir. Eu luto todos os dias de uma forma honesta, como muitos lutaram, enfrentando as dificuldades de suas épocas. ” Eu estou aqui, viva!..E mesmo diante das dificuldades, estou de pé “. Se eu posso…Você pode. O importante é não desistir JAMAIS.
O custo que pagamos pelos nossos sonhos é muito caro. Evidente que tenho desejos maiores, e estou lutando por isso. O investimento é não desistir dos nossos desejos mais íntimos, assim como também não deixar de lado, os sonhos. Mas se por acaso, perdermos um deles pelo caminho, que a gente consiga remodelar as nossas direções; projetar a visão ao que interessa e continuar lutando. Saber aproveitar as oportunidades no momento certo, faz muita diferença.
Marii Freire. Lugar de mulher é onde ela acredita ter capacidade para atuar
” Eu sou a personificação dos meus próprios poemas. Chega, não quero ter ninguém como um norte em minha vida. Eu sou o meu próprio caminho; eu sou aquilo que escrevo. Vivo nas entrelinhas, na imaginação do não dito, do desejo não expresso, mas degustado como vinho suave, no escuto dos meus pensamentos. Basta, sentir é o suficiente para quem se transforma o tempo inteiro.
O amor incondicional é reflexo da nossa permissividade. A gente sabe que tudo aquilo que cresce desordenamente, ganha proporções gigantescas, o que não é bom; pelo menos para nós, para a nossa vida, para a saúde mental e emocional. O amor, não deve (pelo nosso excesso de romantismo) se inclinar para todos os sentidos de forma desenfreada. Ora, se por amor, deixo o outro fazer tudo o que quer comigo; vejo dentro dessa nessa minha atitude, uma falta de amor e desrespeito para com os meus sentimentos.
O amor verdadeiro, tem limite. A resposta do amor ; pelo menos a resposta saudável, ela nunca é vazia ou robotizada. Por que robotizada? Porque o que vemos é muita mulher andar programanda para ” receber ” tudo do homem ( o homem que ela elege como seu ), e fingir que muitas vezes a falta de sensibilidade dele, assim como a própria falta de respeito suplanta mesquinharia. A luz acesa do amor mostra que o posicionamento é necessário para se ter uma relação saudável. Do contrário, cultivar a arte da “mulher boazinha” ou seja, aquela que tudo aceita, vai servir para provar uma única coisa: que na relação há tudo, menos amor.
” O amor que tudo aceita, convive com sérios problemas.”
O amor que tudo aceita é danoso a saúde, porque dentre outras coisas, torna-se desprezível na sua gênese. Você pode notar, a mulher que diz amar um homem e aceita conviver com mentiras e traições, ela fica uma desconfiada neurótica. Mas é por que de fato essa mulher é assim? Não, é porque porque, essa mulher vai aceitando tudo quando é tipo de mentiras. Então, essa pessoa não sabe mais diferenciar o que é real e o que é reflexo de todo aquele jogo de manipulação vividopor ela. O amor não é um acontecimento que possa causar desequilíbrio e vexame na vida das pessoas, mas se você der uma chance para isso acontecer, vai acontecer.
A arte de amar exige comunicação saudável, existe o respeito, a coisa relacionada a valores que é posto na mesa, discutido e acordado. Se nada disso tem empenho por uma das partes, as chances dessa relação convergir ao fracasso é grande. De onde vem algo que a gente não valoriza, é só uma questão de tempo para tudo desandar. Ninguém quer ao lado, alguém que não quer nada sério. Digo: ” é perda de tempo!”. O que leva o aperfeiçoamento da relação é tudo aquilo que o casal se compromete a fazer juntos e faz. Eu aproveito a oportunidade para ressaltar que ” o amor nunca morre sozinho, tem sempre um adulto que não tendo a capacidade de amar verdadeiramente, o mata.
Um adulto adúltero, ele deixa de ser fiel por conta de muitos outros interesses. E se você observar, são esses mesmo desejos que movendo o indivíduo, o faz ganhar muita coisa. Mas no final da vida, o torna o solitário, um estranho para si, por se vestir de pensamentos que o despe em caráter. Pessoas assim, não se relacionam com ninguém, só com elas próprias. E se você me pergunta sobre o amor, o que acontece com ele, afirmo que “ele fica ali, escondido num catinho”, esperando quem tenha a capacidade de amar.
Não se apresse em dá o veredito final, ao que você não conhece. A ignorância é ousada, mas quando você não se atenta aos fatos, é incapaz de perceber que os atalhos, geram muitos danos. Às vezes, até maior do que aquele que você julga.
Nem sempre temos noção do quanto egoísta somos com as pessoas. O egoísta erra justamente, por conta da ambição, – raíz de todos os males. Por isso, sentir vergonha, nem sempre é algo negativo; pelo contrário, é justo e necessário, para nos fazer lembrar o quanto podemos errar, principalmente com aqueles que nos são caros.
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