Outro dia, eu gravei um vídeo falando sobre a importância da “ desconstrução “ do machismo. Citei que homens e mulheres são machistas, mas que a medida em que nos propomos a seguir uma regra nova, e que ajude a vivermos melhor; melhor no sentido de trazer mais segurança especialmente as mulheres, observando a questão do feminicídio e tantas formas de violência que cooperam ainda mais para essa realidade triste a qual vivemos e, constatamos o aumento desses números relacionados a mortes de mulheres no Brasil, vi que em algumas redes sociais não houve um único comentário. Então, analisando essa “ falta de compromisso “ das pessoas em relação ao problema, eu pude fazer uma releitura sobre esse fato que é: ninguém quer mudar.
“ As pessoas não querem mudar a forma de pensar; mudar especialmente aquilo que gera insegurança e coopera para o aumento da violência.“
Quando se fala em princípios e valores, ainda tem-se a crença de que, o problema é o outro e não eu, e não você, especialmente olhando e cativando maneiras retrogradas de pensar, de exigir que o outro, siga a sua cartilha particular de regras. Isso é um absurdo. Mas é também uma realidade. A individualidade é respeitada, mas querer colonizar a outra, acreditando que você pode e decide falar o que é certo ou errado por ela, isso definitivamente, não.
Quando você como indivíduo, fere o direito do outro, naturalmente fere a sua liberdade; a sua dignidade. Quando uma pessoa é desagradável na sua maneira de agir; quando ela é desrespeitosa ou quando ultrapassa todos os limites e pratica violência ou faz comentários de cunho machistas, ela além de ferir o direito da outra; nesse gesto, nesse movimento, revela a falta de caráter, porque tenta rebaixar aquele outro ser humano a nada. Você entende o que estou falando? Quer dizer, eu me acho no direito de ferir, mas corrigir minha postura, calar a minha boca ou abandonar uma conversa sem sentido, isso eu não me permito? Pior, se cometo uma violência, estou no direito de cometer essa violência? Estamos diante de verdadeiros absurdos. Impedir que uma mulher fale quando é claro o seu direito, é sinal de que? Essas são propostas que devem ser pensadas; avaliadas do ponto de vista ético.
“ A medida que não me vejo, como um sujeito que pratica erros, naturalmente, eu não os posso corrigir “
Quando eu disse que não vi um comentário no meu vídeo, logo pensei “ estou diante de pessoas que não cometem erros” ou Estou errada? Vamos para a segunda alternativa, porque se somos seres viventes, logo temos uma infinitude de erros, falas e comportamentos a serem corrigidos. A questão é “ Queremos corrigir esses erros? Porque se não vejo problema dentro do que falo e no meu comportamento, tudo certo ( ironicamente, tudo certo), pena que essa não seja uma verdade a ser defendida. pois,
“ As pessoas não querem mudar seus comportamentos, mas desejam que a lei seja resposta para tudo.”
As pessoas não querem mudar seus comportamentos, mesmo sabendo que eles são ruins e prejudicam as outras. Elas preferem acreditar que a lei possa corrigir uma falha atrelada a falta de caráter, a falta de respeito e consideração pelo próximo. O maior índice de que o ser humano ainda tem jeito, é ele se tornar uma nova pessoa. Nem sempre é buscar resposta na lei; é buscar resposta nele mesmo, quando entende a necessidade de corrigir as próprias falhas. Se essa atitude fosse trabalhada de forma correta na formação de caráter do indivíduo com mais frequência, haveria menos uso da lei. O grande problema que ainda temos em relação a formação de caráter é “ a falta de princípios e valores”. Essas são coisas que a lei não corrige. Respeitar um “ não” por exemplo, é saber que não preciso fazer uso de uma regra maior amanhã, como a lei.
O combate a violência começa fazer efeito através de pequenas atitudes. Quando eu falo de violência, aqui me refiro a todos os sentidos, é a “ piadinha” é o uso de frases de cunho machistas, é não violentar uma mulher porque a vi em “ trajes curtos “. Comportamento é possível corrigir quando (se deseja). Agora, a falta de caráter, jamais. Todavia, se você compreende o porquê de mudar, a sociedade que se almeja, certamente, essa se torna alcançável.
Marii Freire. A Importância de Desconstruir o Machismo
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Imagem: autoral
Santarém – PÁ, 5 de abril de 2026/Amazonia/Brasil
