Quem ama não bate. E se bate, é porque não ama. Não há como amar alguém e fazer da vida da outra pessoa um palco de dor e sofrimento. Você concorda comigo? Não há amor que dure diante de maus-tratos e violência. Há relacionamentos que se arrastam anos por conta de chantagem, coação, manipulação e mentiras. Mas, amor? Não, sinto muito. Eu jamais irei concordar ou incentivar alguém ficar com uma pessoa, onde sei que ela, esteja passando por isso. Basta olhar o ambiente onde há os maiores níveis de violência contra a mulher; onde há mortes inclusive, que ninguém vai fazer diferente. Falar para essas mulheres ficarem é loucura, e quem faz isso, tem sangue nas mãos.
A violência contra a mulher dizima milhares de vidas por ano no Brasil. São números, insisto “ são números reais “ e que causam grandes danos à família, os órfãos e ao Estado. Portanto, lutar contra essa chaga é uma forma de defender essas mulheres que na maioria das vezes, se sentem sozinhas, sem voz e sem saída.
Amor e dor
Amor e dor não combina. Se você é mulher e já percebeu que sofre, é inviabilizada dentro da sua relação, e por mais que você tente conversar; mostrar para o seu marido; para o seu parceiro que as coisas que ele faz te machucam e, por mais que haja esforço da sua parte, isso não muda, você tem que parar de insistir em algo que você já sabe que não vai surtir efeito. E ficar tentando é nunca deixar essa ferida sarar.
“ Onde há violência, o amor se transforma em ausência.”
Há mulheres que passam anos insistindo, lutando, conversando e se sendo submissas. Na hora de um momento de tensão entre o casal, ela tenta ser clara e não é ouvida. Há mulheres que falam com um tipo de voz, como se ela fosse “ fanha” entende? Uma voz com um tom baixo para dizer que o marido a desrespeita, e o homem nessas horas, ele eleva a voz, é grosseiro. Sim, tudo isso ocorre porque ele precisa manter a decisão. A mulher por sua vez, é como se fosse uma subalterna que precisa “ sussurrar “ para chamar atenção. Eu, como escritora e conhecedora dessa realidade, estou cansada de ver o que jamais deveria acontecer.
Numa relação de desigualdade, a falta de respeito e consideração pelo parceiro ou parceria é visível. A violência é direta, ela não se preocupa com o amor. Se preocupa com as escolhas de quem não negocia; de quem não cede em hipótese alguma.
Cuidado com o que você chama de amor. Pois, o amor não dói, não maltrata e não exclui.
Considere isso!
Marii Freire. Violência Contra a Mulher e o Peso da Invisibilidade
https://Pensamentos.me/VEM comigo!
Imagem: Marii Freire
Santarém-PÁ, 24 de março de 2026/Amazônia/Brasil
