Para você ser uma autora que escreve sobre violência, você precisa ter opinião própria e coragem de falar abertamente sobre um tema espinhoso e que faz com homens tenham raiva de você. Aliás, não só homens, algumas mulheres também. O tema violência doméstica é complexo, e nem todo mundo gosta de ouvir falar sobre ele, porque revela a podridão da ferida que todos tentam esconder.
“ As pessoas ainda tentam esconder as coisas feias da porta para dentro “
Olhando para essa realidade de perto, eu não diria que elas tentam esconder as coisas feias; digo que muitas escondem quem são de verdade. Todo mundo quer ser perfeito, mas essa perfeição não mostra o lado obscuro que todo indivíduo esconde. Quem é violento, não quer mostrar que é, porque passa a ser julgado e perde a credibilidade com as outras pessoas que mantém algum vínculo. Mas quando é pego praticando violência, se torna mais perigoso ainda. Pois, para tentar desconstruir isso, essa pessoa ameaça e conta com o silêncio da vítima.
É em momentos como esse que, o papel do profissional do direito é fundamental para “ descontrair essa masculinidade que se acha superior aos próprios olhos” . O perfil do agressor não é algo que possa ser lido de forma automática; pelo contrário, mais do que nunca você tem que tem bons argumentos para entender e defender um direito violado; que na prática esse direito é da mulher. Quando se pensa em violência doméstica, há uma máxima que diz: “ Você não está sozinha “. De fato. Existe o sofrimento, mas o que essa mulher precisa é de orientação – como escritora- diante de tamanha responsabilidade, não de julgamento e sim “ conscientização “ ajuda essas mulheres a despertar para os seus direitos e lutar por estes. É quando finalmente, essas vítimas se voltam para elas mesmas.
A minha escrita é votada a essa ótica da orientação, da educação, porque vendo o sofrimento e a falta de informação de muitas vítimas, vem a ousadia de escrever e dizer “ luta por você”. Ninguém sabe o horror que essas mulheres sofrem, só elas. Às vezes, nem a polícia porque, muitas não denunciam.
Eu vou escrever, porque não sei me calar diante das injustiças. Portanto, o que posso dizer é que:
“ Eu não escrevo para agradar ninguém. A importância da minha escrita é para o despertar “
Ao escrever, naturalmente conscientizo sobre a violência contra a mulher; conscientizo sobre os direitos que essa vítima tem. É aqui, e o mais importante: denunciar. É necessário que a mulher denuncie toda e qualquer forma de violência. Só assim, nós conseguimos acabar com a impunidade.
Marii Freire. Eu Não Escrevo Para Agradar Ninguém
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Imagem: Autoral
Santarém, Pá 17 de janeiro de 2026/ Amazônia/Brasil