O Capítulo Seguinte

“ A mulher que sobreviveu a violência, ela sobrevive a qualquer coisa”. É claro que essa frase mostra que não estamos sozinhas, e que “ de experiência em experiência “ vamos contamos as nossas histórias de superação e vencendo o sofrimento; questionando o questionável, rompendo os limites que a sociedade nos impõe como mulheres, e diariamente, lutando com mais consciência e segurança para alcançar os nossos ideais.

Sim, eu sei que, o capítulo seguinte não é fácil de ser escrito. Mas ninguém sabe a profundidade do lugar que muitas vezes, precisamos “ enterrar” aquilo que também um dia foi sonho, foi desejo e até em parte de um certo grau de fé. A verdade é que a mulher nunca é ( in)sana por ter esse tipo de atitude. Ela só precisa virar a página e seguir o seu próprio caminho, longe dos perigos e das armadilhas de viver num mundo onde precisa “ romantizar “ a ideia de “ abdicar “ os seus direitos para caber em lugares muitas vezes inóspitos.

Isso o que falo é ignorado por muita gente, que afinal de contas, só acaba se deparando com a verdade, quando a realidade pesa; quando tem que tirar da própria miséria, uma lição árdua de que a vida apresenta uma conta exorbitante, e olha que não estou falando de dinheiro, não. Mas uma relação de coisas das quais você não consegue abrir mão: casamento, profissão, saúde mental e emocional, valores pessoais, sonhos entre outros. Você pode até obter nota máxima até quando pretende alcançar e conciliar essas coisas, mas ao casar-se por exemplo, já descobre que casa e profissão é um negócio que dificilmente irá ser promissor, especialmente quando constrói uma relação que não é saudável ( não ignore) a sua realidade. No fundo, o que muita gente faz é andar na pontinha dos pés por pagar o preço de acreditar que está no lugar certo, mas só você sabe o quanto isso lhe custa.

O Preço de viver uma relação onde não há equivalência e igualdade

Se tem algo que acaba com a relação, namoro e casamento é você ter alguém do lado que não compartilha dos mesmos ideias românticos que os seus, que na relação não há equivalência, equilíbrio, respeito e igualdade. Há sim, o desequilíbrio daquilo que deveria ser recíproco entre duas pessoas. Neste caso, falo do relacionamento doentio ( relacionamento abusivo e violência doméstica), que mostra que no lugar, onde não há amor, não existe equivalência e, que a mulher ainda deve ser tratada sob uma ótica machista, isso gera um sofrimento enorme para ela.

A mulher que descobre literalmente, que se encontra presa a essa situação, ela sabe que tem que “ colar cada pedaço “ de si mesma para manter o bem-estar da família intacto. E observe que, nem estou detalhando os motivos. Mas cada mulher que passou por situação de violência ou mesmo por um relacionamento abusivo sabe do que estou falando. Pois, sente-se desconfortável e é esse “ desconforto “ que faz com que muitas passem a se questionar; entender e crescer; descobrir-se como mulher inclusive. E antes mesmo que um leitor questione “ se a mulher não era mulher “ por descobrir-se, antecipo minha fala, afirmando que, a realidade anterior moldava que ela era , seus gostos e desejos. Portanto, ao “ descobrir-se” por ela mesma, há um contraste com a realidade anterior e que os “ pesos e medidas” não são os mesmos.

A Construção de uma Nova Mulher

A construção de uma nova mulher, dará suporte a liberdade que todas adquiriram ao se colocar na posição que sempre mereceram e com esforço, conseguiram alcançar. Veja que aqui, observa-se a tal da equivalência, a equidade na relação unilateral ( fruto da escolha da própria mulher). Óbvio que ela se escolhe e trabalha para dar-se aquilo que lhe é próprio, mas que infelizmente, não existe numa relação disfuncional; numa relação que gera dor, angústia e sofrimento, sem levar em conta as vontades genuínas da mulher ( por conta de imposições masculinas) nas quais toda e qualquer perspectiva não lhes incluem. E o que é pior, isso é naturalizado e aplicado como regra que asfixia sonhos e a própria dignidade humana do indivíduo, neste caso, refiro-me a dignidade da mulher.

Virando a página

Virar a página é antes de qualquer coisa, a pessoa “ abrir mão” de conceitos e crenças limitantes. Pois, só assim é que ela adquire a capacidade e segurança para fazer as coisas que são necessárias para o próprio crescimento. E neste caso, é justamente o ponto crucial em que, a mulher deixa de sujeitar-se as regras estabelecidas ( que deixava os outros confortáveis) e passa a incluir ela mesma dentro de uma construção onde desfaz os laços com o passado. Essa decisão a torna inteira e a faz transbordar em todos os sentidos.

Agora me conte:

Você se tornou uma mulher mais segura, depois de tudo o que viveu e conseguiu virar a página?

Você sabe que hoje, diferente do passado, a mulher tem se priorizado mais, desejado viver; lutar pelos sonhos mesmo numa idade onde, ela não tem 18 anos, mas seus sonhos e objetivos não tem prazo de validade! isso é ótimo, porque o que vale é o que mora pelo lado de dentro e não se deve ignorar o próprio instinto e esforço, nunca.

Eu quero conhecer o que pensa sobre isso. A vida é o agora!

Marii Freire. O Capítulo Seguinte

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Imagem: Autoral/IA

Santarém, 18 de novembro de 2025

Publicado por VEM comigo!

⚖️ Bacharela em direito, Pós - graduada em Direito Penal e Processo Penal. 📚 Autora: MULHER Do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais e O Amor Verdadeiro Contesta. Ambas as obras são lançadas em parceria com a Editora Viseu/ Brasil. . Palestrante