Vislumbrei a ternura escondida em tua face,
Contei os cabelos brancos
Diante de um comportamento que achava inadequado.
Parece cansado,
Mas é só o tempo jogando fora a sua casca
E alimentando-se do instante.
Lambi a sua língua
Tinha gosto de silêncios molhados,
Diante de um olhar faminto
E talvez o calor do sol um pouco atrasado.
Não sei se terei tempo de olhar outra vez,
Mas as pequenas ondas que se formavam
Desapareciam em questão de segundos.
Fiquei parada
Ali, me alimentando daquela beleza
De saltar os olhos.
Era um espelho d’água
Diante da minha selfe equivocada
Desfalecendo naquele infinito cais,
Que se formava com ajuda do vento
Naquele chão de cimento
Cortando o firmamento
Criando uma linda Imagem.
Pequena e desenvergonhada
Ela ficava a desmanchar- se.
Sossega!
Não sei se poderei observa- lá depois.
Depois,
Depois de meus olhos,
Outros olhares.
Outros sonhos.
Aquela era minha vez
Numa manhã de Natal
Sob a magia do espírito
E a ilusão de um céu
Esfumaçado no chão,
Reflexo vivo do que
Não se sabe se é espelho ou alma
Confundidos no mesmo coração.
Marii Freire. Espelho
https://Pensamentos.me/VEM comigo!
Imagem: Marii Freire
Santarém, Pá 25 de dezembro de 2024

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