O que é admirável no amor é que ele é comparável ao ” mar aberto” fascinante pela imensidão; um espetáculo belíssimo para se assistir. O amor comparado ao mar, não tem domínio, só o dominamos através do olhar, da mente; até o ponto aonde pode ser visto. O resto, se imagina, elabora no inconsciente o que pode acontecer. Cria- se personagens e monstros que assombram. Mas que ao mesmo tempo, convida- nos a viver suas aventuras.
O amor é uma fonte de estímulos especiais, além da serenidade, ele gera dopamina, fazendo com que os casais apaixonados, além do amor – claro, consiga nutrir admiração e respeito um pelo outro. O mais importante no amor é que você não ama alguém de imediato, pode se apaixonar. Mas amar, não. Para amar mesmo, é preciso ter condições psíquicas e dignidade para saber recepcionar a outra pessoa. Veja bem, não é ” endeusar” . Aqui, trata-se especialmente, da postura madura de quem ama, de quem sabe fazer escolhas saudáveis, é o comportamento transformado em energia, o brilho natural que nasce no olhar, na serenidade dos atos. “Quem ama, admira quem diz amar”, e para amar é preciso entender os gestos da pessoa que amamos.
Amar uma pessoa leva tempo; o tempo necessário para melhorar o processo de intimidade, conhecer e saber fazer uso do que ela tem de melhor para nos oferecer. Só assim, se consegue admirar.
Para admirar é preciso entender, conhecer e usufruir de seus segredos.

Se uma pessoa sabe que é amada, instintivamente, ela age proporcional ao valor daquilo que recebe do outro. O prazer neste caso, torna-se uma via prazerosa e espontânea para ambas as partes, melhorando a qualidade da relação.
Quando se trata de amor, não é a quantidade de tempo que determina o valor da relação, mas cada fração do tempo proporcional aos acontecimentos. Muitas pessoas por exemplo, podem oferecer tempo sem qualidade, sem experiência, sem situação próprias do amor. Há um déficit de atenção que colabora para as crises. Mas, se você coloca energia, é criativo nas ideias, sabe expressar a grandeza da alma, é generoso com as palavras, encoraja, estimula, se colocar no lugar da outra pessoa, quando ela precisa, tudo isso ajuda a relação crescer.
Vale ressaltar que, dentre as muitas exigências do amor, ponderar, ouvir e não traduzir em gritos o que deseja, demonstra preocupação e respeito com a outra pessoa. Amar também é educar- se para garantir o futuro da relação. Muita gente ” adorna”, mas o adorno é uma consciência que vem principalmente da forma de nos educarmos diante de quem amamos.
Para amar, é necessário saber usar as palavras, promover gestos que causem alegria. Essa é a verdadeira fronteira dos apaixonados. A gênese do amor é o próprio amor, não no sentido conceitual, mas num diagnóstico fechado, como sugere o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade:
” Amor é aquilo que se aprende no limite
depois de se arquivar toda ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde. “
Marii Freire. Amor
Nota: Amor e seu Tempo/Carlos Drummond de Andrade. Seleção de textos, notas, estudos biografia, histórico e crítico por Rita de Cássia Barbosa. 3 ed. São Paulo. Nova Cultural, 1990 ( Literatura Comentada)
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Imagem: Marii Freire
Santarém, Pá 24 de dezembro de 2024
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