Violência Contra a Mulher

A mensagem contida no cartaz é muito clara: ” NÃO ENSINEM MULHERES COMO NÃO SEREM ESTUPRADAS. ENSINEM HOMENS A NÃO ESTUPRÁ-LAS. “

E não chamo atenção sozinha para essa realidade, ela deve ser absorvida por todos; uma vez que a sentença sobre o estupro, pesa sobre os ombros das mulheres, sendo que elas é que são vítimas. Todavia, parece-me de uma clareza hídrica tal questão, avaliada inclusive, com um certo nível de loucura. Loucura “fabricada” pela própria sociedade, com o intuito de culpar, punir e enclausurar à mulher, como manifesto masculino de poder sobre seu corpo. É perigoso falar isso, obviamente, porque a sociedade vive em uma espécie de demência coletiva, pois ao invés de procurar fazer justiça sobre o autor do crime e o ato, pune veementemente, as vítimas, cometendo mais injustiças em relação a estas. Todavia, torno a dizer que, todo esse esforço voltado a desconstrução do direito da mulher, tem uma maior eficácia, sobre a codificação do que funciona melhor no “hospício” dos homens.

Eu, Marii que escrevo esse texto, tenho que pedir “desculpas” pela forma em que ele é construído, porque para algumas pessoas, isso parece “ofensivo” , enquanto que para outras, ele é claro demais. Afinal, se passar tudo isso num crivo, sobra fragmentos do que afirmo. Apesar, de termos uma legislação que nos faz avançar em relação aos nossos direitos, há uma sociedade que parece não querer lidar com essa realidade. O estupro não é culpa da mulher, do tamanho de sua saia ou do quanto ela ” se oferece” como muito se diz. Quem é responsável pelo estupro é o homem. Ora, se o próprio homem não é ciente disse fato, a mulher menos ainda, digo isso até por uma questão cultural. Claro, questão relacionada a educação. Durante muito tempo, as mulheres foram impedidas que de ter uma educação de qualidade como a que foi dada aos homens. Aprender o mínimo, e – quando aprendiam, já lhes parecia ser um ganho suficiente para atender alguns requisitos da sociedade, mas pensar, argumentar, lutar por seus direitos, isto é, outra história (…) que merece um vocabulário rico pela próprio peculiaridade que essa questão merece atenção.

“Não é a mulher que deve temer o estupro, é o homem que tem que olhar para ela e entender que não pode estuprá- la. Isso é uma questão de educação”, ponto.

Se esse detalhe não é trabalhado na criança desde a infância, o menino vai continuar compreendendo, através do método da educação masculina tradicional que pode tudo. Pode estuprar, pode continuar tratando a mulher como uma “vadia” que deve servi- lo, pode matar, pode …” constituir o poder sobre a vida ou não ” e a mulher, reafirmo: ” vai continuar não sendo respeitada, porque a lei só existe em forma de norma; na prática, ela não passa daquilo que existe no papel. O que prevalece neste caso, é a velha máxima, hoje não dita, mas compreensível, até por uma questão de costume,  que é: ” vá para dentro de casa” , ” vista uma saia longa”, ” seja uma mulher de respeito…”. E uma vez vestindo saia longa, continuará sendo estuprada pelo marido, companheiro ou um “estranho” que mantenha qualquer tipo de vínculo com a família?, pergunto eu novamente: ” minto, não conheço a história ou os meus direitos?” Qual será a sentença que prevalece para uma mulher que não pode ser punida por falar a verdade? O detalhe é esse, a verdade. A sociedade tem dificuldades de lidar com ela. Todavia, a mudança que se deseja, só virá, se houver sensibilidade coletiva. O progresso que se deseja, só vem por meio dessa consciência humana. Não são os meios penais, é o quanto se consegue olhar para o outro/a outra e saber que ele/ela merece respeito.

” Enquanto a mulher procurar abrigo em lugares insalubres ou proteção, nos braços daqueles que são os seus maiores assassinos, estas, terão que se adequar a realidade que lhes convém. ”

Se a sociedade não muda a forma de como educa homens e mulheres, bem como os fatores que norteiam a questão de gênero, terá que lidar com os mesmos problemas, e com uma certeza já previsível sobre o futuro. Assim como, os mecanismos que usa para lidar com este, de modo que, nada do que aconteça, cause alguma surpresa. Não falo, por lidar com uma questão que se limita à evolução das próprias regras na sociedade. Mas por induzir a resistência à mudança.

Marii Freire. Violência Contra a Mulher

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Imagem: pinterest/ Marcella. S.S

Santarém, Pá 3 de agosto de 2024

Publicado por VEM comigo!

⚖️ Bacharela em direito, Pós - graduada em Direito Penal e Processo Penal. 📚 Autora: MULHER Do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais e O Amor Verdadeiro Contesta. Ambas as obras são lançadas em parceria com a Editora Viseu/ Brasil. . Palestrante