Amor não é amor, sob qualquer condição

”  Amor não é amor, sob qualquer condição

Quando se fala de filhos; filhos concebidos através de uma violência sem tamanho para uma mulher, que é o estupro, não estamos lidando com a mesma situação que trata do amor ao filho,  quando este, ocorre através da ” gestação normal “, que é algo concebido, antes mesmo de ocorrer o ato sexual. Essa mulher, quando deseja ser mãe, psicologicamente, ela já se prepara para viver aquele acontecimento, que por sinal, dar-se de forma natural prazerosa, desejada como dito anteriormente. Tanto o cérebro, quando o corpo começam agir dentro de uma ordem que abre espaço ao reconhecimento ao que leva a concretização daquele desejo que vem acompanhado por sintomas como medo, euforia, entre outros. Enfim, todo aquele preparo psicológico da perspectiva do enxoval do bebê, o amor que o pai terá sobre essa criança, a mãe, as irmãs, os irmãos, avós, em muitos casos. Repare que tudo isso, ocorre sob uma regra de afeto e um esquema familiar, onde esse novo membro será bem recebido como parte integrante daquela família. Então, o ideal para aquela mãe, é que seu filho seja bem acolhido e amada por todos, – o que é diferente de uma outra situação, que é  a gravidez que ocorre por meio do estupro.
Quando uma menina ou uma mulher é estuprada, ela ela violada. Mas não é violada só a sua intimidade. É dilacerado todos os seus sonhos, assim como, os requisitos citados no início desse texto. Mas o principal deles, pesa no campo psíquico e psicológico. Aí, “as condições do amor ao filho” diverge muito à mulher que foi violentada e as conclusões da condição desse amor que a sociedade diz que se deve ter. O que mais se ouve é ” Ah, mas amor por um filho, é amor por um  filho.” Ledo engano! “Nem Jesus Cristo foi tão bonzinho ” a ponto. Quem já leu as suas escrituras, sabe que Ele eliminava a premissa da maldade humana. O que estou dizendo é que a mulher é um ser extraordinário, em toda história da humanidade. Pois, ela é o único ser capaz de gerar outro ser ao mundo. Portanto, cabe à ela o direito de decidir quem deve ” habitar corpo próprio ” dentro do seu. E por que? Porque, esta, não deve ser tomada por assalto, controle intencionais,  algo que aliena e obriga essa mulher gestar o fruto do seu sofrimento,  do pânico que ela sofre ao ser violentada sexualmente.

” Ah, não precisa abortar, tem a criança e entrega para adoção. “

A questão não é essa. E o estrago psicológico, de que forma será corrigido na vida dessa mulher? Eu chamo atenção para um comportamento autoritário sobre ela; não só autoritário como também desrespeitoso. Você  obriga o ser humano a fazer o que você quer, os limites dessa mulher como ser que também é detentora de direitos, não são respeitados, porque apesar dos traumas, mesmo dentro de uma pressão criada pela própria sociedade, vitimas de algo dessa natureza, acabam desenvolvendo culpa e mágoa, por conta de uma transgressão de normas, que pouco, considera as suas. Eu compreendo que isso incomoda algumas pessoas, mas o impacto negativo sobre a vida de meninas e mulheres que vivem tamanha violência é muito grande. Os sentimentos negativos são muitos fortes. A conveniência social, como a gente percebe, é maior em muitos casos, do que,  o próprio direito do indivíduo. A verdade é que os ” caprichos sociais” ocasionam prejuízos irreversíveis a vida de algumas pessoas. Este caso, como tantos outros, é mais um. Quer um exemplo claro do que estou falando? Direitos humanos! Quem você acha que tem direito e, quais os direitos que devem ser dedendidos? Aqueles que estão de acordo com a sua ótica? A sociedade erra, e a gente precisa elucidar alguns comportamentos, porque embora não se observe muito essa questão, grande parte dos transtornos mentais vem do que em parte, nós enquanto seres humanos tão ” alinhados” negligenciamos. E esse, certamente, é um erro tremendo.

Marii Freire. “Amor não é amor, sob qualquer condição”

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Imagem: Autoral

Santarém, Pá 16 de julho de 2024

Publicado por VEM comigo!

⚖️ Bacharela em direito, Pós - graduada em Direito Penal e Processo Penal. 📚 Autora: MULHER Do ostracismo à luta pelos direitos nos dias atuais e O Amor Verdadeiro Contesta. Ambas as obras são lançadas em parceria com a Editora Viseu/ Brasil. . Palestrante