O relacionamento abusivo é construído no início, como um relacionamento saudável. O homem vai se mostrar uma pessoa com qualidades como qualquer outro indivíduo. O problema ocorre em algumas situações em relação ao comportamento. É esse o detalhe que deve ser levado em consideração “o comportamento”, é ele que juntamente, associado à uma serie de atitudes, denuncia a forma de agir da pessoa. Em geral, é comum a vítima notar isso conversando ou vivendo situações diárias da vida do casal que vão aparecendo os primeiros sinais. Por exemplo, em conversas ou acontecimentos que revela o abuso, o homem ou a mulher ( ambos podem ser abusivos) sempre se mostra com pouca paciência, empatia, e até mesmo ” compromisso ” de levar a conversa à sério. Veja, muitos homens fogem de conversas longas, porque eles sabem que isso pode arruinar o relacionamento, – Não é a relação em si, que a gente sabe que, às vezes (a própria maneira de se relacionar do casal não é boa), e tendo um fator de comprometimento maior como esse, pode tornar essa realidade infeliz, porque diante da autenticidade dos fatos, tudo pode convergir para o fim.
É natural numa relação normal, o casal conversar de uma forma saudável. Vai ter momentos de alteração de voz e ânimo? Vai. Mas, essas duas pessoas vão saber se ouvir, sem pressa, sem essa coisa de querer enganar, controlar, como acontece numa relação abusiva. Nesse modelo de relação, a pessoa que tem necessidade de controlar a outra, ela ” impõe ” a sua vontade, sobre o que quer conversar; do contrário, ela estende a situação, fazendo uso de artifícios traiçoeiros ou seja, com manobras manipuladoras, onde ela consiga “sair” daquela situação e se beneficiar de alguma forma, fazendo a vítima parecer errada e inconveniente por buscar respostas que ela mesma precisa.
Na relação abusiva é comum o homem gerir toda situação do casal. A mulher por sua vez, não tem voz, não age; pelo contrário, ela vive sempre num segundo plano. É como se voltássemos ao passado, onde a mulher era “a sombra do homem”, o que ele decidir, assim é. Ela por amor e não contrariando o parceiro ” aceita” tudo, mesmo que isso venha lhe ferir, e feri em questão de direitos. Ora, imagine deixar que alguém decida por você, é algo contraditório, desigual, inaceitável. Sabemos que em situações como essa cedo tarde, ” a corda arrebenta”, e arrebenta do lado mais fraco ou seja, o lado da mulher.
Quem vive esse modelo de relacionamento conhece o quanto é difícil ” se encaixar” nas decisões do outro, porque de forma consciente, a pessoa sabe que prejudica a si mesma. É abusivo você viver a dois e não poder negociar, sim porque relacionamento ou casamento, são respostas positivas a contratos e acertos combinados entre o casal, que felizmente, só faz de uma relação duradoura, se as duas pessoas tiverem o devido comprometimento de trabalhar isso da melhor forma possível. Do contrário, a coisa não acontece. Agora, casamento também pode ser comparado a uma ” empresa “, se um dos “sócios ” dessa empresa, começar ter algum tipo de vantagem indevida ( ilícita) tem alguém sendo prejudicado nessa história. Em geral, é a mulher que historicamente, mais é afetada.
Por uma questão cultural, esse poder de “decidir” que foi atribuído ao homem, e apesar de séculos, de mudanças culturais e sociais bastantes significativas, herdamos muita coisa que se repete na atualidade. A verdade é que, diante desse poder todo o homem nem sempre, ele é honesto com a sua companheira. Muitos, de alguma forma, procuram se beneficiar dessa mulher, justamente, por saber que eles tem esse poder. Por isso, entre os muitos motivos temos exemplo de relacionamentos abusivos, doentios e tóxicos. Isso alimenta toda herança do passado. Claro, não se trabalha esses termos, mas hoje, olhando para esse passado, vemos coisas das quais, não se deseja repetir que é essa desigualdade acentuada. Que infelicidade, nos depararmos com tantos casos assim ainda nos dias atuais. Essa é uma máxima verdadeira.
Alguns homens ( não todos), porque não se pode generalizar a situação, conduzem suas parceiras a seguirem suas escolhas, de modo que fazem com que elas pensem estarem seguras e protegidas. Afinal, isto é imposto à elas como ” verdade ” e de forma muito fria. Então por não querer contrariar o homem que ama, a mulher entra numa ” canoa furada” porque foi ganhado a sua confiança, seu respeito, amor, generosidade entre outros. Em geral, sustentando por uma grande mentira ( manipulação). Mas como tudo isso, não resiste ao tempo ( porque ninguém consegue mentir o tempo todo) , como nos sugere o Abraham Lincoln ( É possível enganar por um tempo, jamais o tempo todo”, aos poucos esse homem vai deixando ” escapar” certas verdades; é quando a mulher vai absorvendo aquilo tudo, sem ” venda nos olhos” . Um dia, ” ele deixa passar um pouquinho aqui, outro ali”…E o que antes, era “maquiado ” ou seja distorcido, se mostra inteiro. É essa perversidade vista, agora sem máscara, que coopera para o despertar da mulher. Obviamente, isso destrói a sua saúde mental e emocional, mas também a coloca no epicentro de seus interesses
” Dentro de um relacionamento abusivo muita coisa é dita com plena clareza. O problema é que, a mulher busca não encarar os fatos, como eles são. “
Claro, muitas mulheres mesmo vendo tudo de forma mais nítida, algumas não acreditam. E por que não acredita? Por inúmeros motivos, o mais comum é porque “foram levadas ao erro”. E quantas não são, compreende? E diante de todo esse contraste que envolve verdades e mentiras, o impacto é sempre negativo. A maioria, se pergunta: ” como ele fez isso comigo? Porque? O que foi que eu fiz? Ou deixou de fazer?” Isso é recorrente! Quando essas mulheres, tentando encaixar todas as peças do quebra-cabeças, não conseguem fazer isso, ou seja, não conseguem lidar com a realidade, chegam a exaustão de seus dias no limite. Muitas desenvolvem algumas doenças emocionais, como ansiedade, depressão, câncer entre outros. Tudo isso impacta a saúde de modo geral. O relacionamento abusivo adoece o ser humano.
” Todo relacionamento abusivo, ele é arquitetado na mente da vítima, por isso, a dificuldade de lidar com as próprias verdades. “
A pessoa que se encontra diante da própria verdade, ela não se permite mais ser manipulada, porque passa a ser descontraída todo um conjunto de crenças limitadoras, a própria ideia de amor, ou de que ela precisa ter alguém para ser feliz, deixa de fazer sentido. E não mais controlada por suas paixões, mas vislumbrando um horizonte de possibilidades, essa mulher “abraça a liberdade” como um prêmio entregue pela vida, ao longo de sua caminhada.
Marii Freire. Relacionamento abusivo e as dificuldades de encarar a realidade.
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Imagem & criação: Marii Freire
Santarém, Pá 6 de abril de 2024

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