Na vida, se importe com quem se importa com você

Quem nos ama, quem tem carinho e alguma forma de respeito, se importa conosco.

O que eu acho fascinante no ser humano é esse compreender vagaroso, gostoso da vida. Mas, esse detalhe não é algo que todos podem alcançá-lo.

Muita gente vive na encosta, de lado, de cabeça para baixo, cheio de si, inclinado aos próprios pés que nem ao menos, aprende o significado de despertar. Despertar para a vida, para a construção de laços afetivos. As vezes, refugia-se no outro como uma única forma, a de subtração. Suga, tira tudo. É cítrico da própria alma. Só conhece um único desejo, o dele. Usa o outro de forma constrangedora, uma envergonha, posso assim dizer, é só para alimentar as suas próprias fragilidades. É um ser humano oco, vazio por dentro. Parece que tem uma obsessão insana de poder.

Só nos procura quanfo é para depositar o próprio lixo, as vezes tem a ousadia de mudar o próprio tom de voz só para alcançar o que procura, o que espera, o que deseja. Gente que te usa como uma espécie de garantia. Já reparou em quem te faz de Caixa eletrônico? Do nada aparece, retira o quanto precisa e vai. Passa a vida inteira deslizando, ganhando vida nos próprios tropeços.

Não. Você não é um crédito especial de ninguém. Você não é psicóloga que fica fazendo plantão de caridade para as suas amigas. Você não é plano ” B”, de alguém que só lembrada quando todas as outras não quiseram sair com o cara que você gosta, e portanto, ele só te procura quando já não tem nenhuma alternativa. Você é obrigada a satisfazer ninguém. A não ser você mesma.

Vire as costas. Saia de relação que não te oferece nenhuma possibilidade de se sentir confortável. Considere somente aqueles que te consideram.

Aprender a dizer não faz bem. E o melhor, sem ressentimentos.

Nietzsche disse que o ressentimento é hóspede exclusivo da ingratidão. Não seja ” ingrata para si”, enquanto agrada os outros.

Se supere, se reconstrua. Não viva objetificada por alguém. Se ame ao ponto de dizer, eu mereço mais. Reflita.

Não hesite, é ótimo. Retire o peso dos ombros, esse que só pesa para um lado e faz você andar capenga. As vezes para encontrar o equilíbrio que merecemos para prosseguir, é necessário visitar o passado e retirar o que precisa para ser lançado fora.

Ame quem tem tempo, ou mesmo que não tenha, tira cinco minutos do seu dia, para saber como você está. Gente que se importa, gente que sabe retribuir carinho. Gente que no ” bom dia”, pergunta o que você precisa.

Queira, queira muito ter essas pessoas assim por perto. É gente que sabe constranger, mas com gostosura, nudez da alma, gente que acrescentar.

As relações não são esconderijos para o outro distraidamente subtrair a sua paz, a sua felicidade. As relações só atingem um certo equilíbrio quando há um grau de maturidade.

Abrace quem te abraça, quem te queira bem

Imagem: Marii Freire

Texto: Marii Freire

Carpe diem

Carpe diem, é uma expressão em latim que equilave a “aproveite o dia”, ou ” aproveite a vida enquanto ela dura”.

Numa definição própria, diria ” abrace a vida com vontade”, queira o melhor do melhor porque nós ” colhemos” como sugere a frase, essas regalias que nos são dadas de modo, a viver o momento, mas um momento no sentido figurado, não o instante, mas todas essas pequenas frações da vida, e que juntas, acabam representando o total daquilo que somos. Até porque, não somos eternos. Mas, uma breve passagem. E talvez , um dos maiores desafios nosso aqui, é justamente a busca pelo prazer […]

Esse prazer em geral, está ligado a idéia de sentimento. Então, basicamente equivale ao prazer amoroso, ou seja, o convite a mulher amada.

Esse prazer sugerido ja existia na poesia clássica anterior ao Barroco que foi um período de culpa, uma vez que destaca-se ter a emoção genuína, havia a presença do sensual, mas ao mesmo tempo, revestido de uma certa culpa. Então, com isso, os poetas do Carpe diem, viam o prazer como uma necessidade, uma espécie de ausência de culpa, sem esse revestimento do religioso.

Contudo, o que prevaleceu em relação a esse entendimento, foi tentar não viver esses paradoxos, mas sim? aproveitar a vida porque tudo é um momento. Hojr, estamos vivos, porém…numa fração de segundo, podemos partir dessa para melhor…

Carpe diem!…

Imagem modificada (contém filtro) – livro pessoal.

Literatura brasileira/2013

Comentário: Marii Freire.

Até que ponto o amor é saudável?

Amor é…

….

É um não querer mais que bem querer,

É estar preso por vontade

É servir a quem vence, o vencedor…”.

Luís de Camões

Para falar de amor, é preciso citar Camões. Não conheço descrição mais perfeita do que essa. Claro, existem inúmeras outras formas de tentar justificar a nobreza de tal sentimento. Os românticos conhecem muito bem esse universo. O próprio Deus, tem essa necessidade psíquica de ser amado.

O amor, a paixão nos humaniza, e não falo isso visando o lado romântico da entrega do amor ao ser amado. Não, amar é a primeira condição do se humano. Eu amo, ou seja, eu me amo, e a medida em que tenho amor por mim mesmo, posso dar ao outro. Geralmente, quando estamos apaixonados, passamos a olhar para aquela pessoa que estar ao nosso lado, com olhos de pureza. É a nudez da alma que se manifesta em torno daquele sentimento. É o que fala a canção: ” É estar preso por vontade…”. De fato, é a única prisão em que um réu se sente bem, porque todas as outras formas, se costuma contestar.

Quem insiste em amar, procure sempre se encaixar nas exigências do outro, as vezes até no menor orifício para poder caber. O amor costuma ser exigente, aliás, exigência é a sua prioridade.

A paixão geralmente costuma ser passageira. Tem casal que quando não consegue suprir essa exigência, logo se afastam. As vezes, muitos relacionamento começam com outros interesses, nem sempre existe a presença do amor. Eu não estou dizendo que todo sentimento não passe pela exigência. É bom que passe para que se possa, inclusive ter todas as certeza que se precisar abracar numa relação. Como estou sempre escrevendo: o amor é uma via de mão dupla. É necessário que os dois estejam em comum acordo, porque se só um faz, e não há retribuição, não funciona. Vou usar uma expressão antiga nesse caso, não vinga.

O amor romântico passa por esse crivo. E você ” serve a quem vence, o vencedor “, com prazer, uma vez que é correspondido. Não se trata de imposição, não é a presença do abuso que há nos relacionamento. É algo parecido com o cortejo. É a questão do afeto, do enlaçar…da profundidade, como diz o Drummond: “o amor é algo que nos deixa ofendidos de felizes “. Olha que lindo isso. Metaforicamente falando é essa delicadeza. Isso maravilhoso e se vive, sem perder a lucidez do sentimento. Agora, quando esse amor extrapola limites? Perde a razão e ganha traços de psicopatia ?Quando desvia o olhar? Lembra do que falei no início do texto? O amor não desvia o olhar. Mas nesse caso, sim.

Quando se observa relacionamentos aonde não há respeito, é bom tomar cuidado porque amor que sufoca, ele caminha para o abismo, tira o fôlego. Mas, não é no gozo. É ceifando a vida e todas as suas possibilidades, não tenha dúvida.

Amor que tenta se refugiar em argumentos com pouca consistência, é o tipo de amor que fere. Nesse caso, já deixa de ser um sentimento sublime, e passa a ter a outra outras características vistas como anormais. É um amor doente, portanto, precisa de ajuda, tratamento ou melhor, afastamento.

Nesse caso, o amor pode ser tão violento a ponto de matar, mas quem ama se recusa a enxergar o perigo…

Seis tiros, justificam a imensidão de um sentimento? Ou existe limites que precisam ser respeitados. Depende. Depende de quem assiste de fora, e de quem vive a relação. Geralmente, o amor para chegar a esse ponto já extrapolou todas as razões. Nem se pode falar em amor, porque para ambas as partes ( descontentes),o sentimento ganh um novo significado. É aquele que muitos poetas adoravam descrever em suas obras, a morte. A morte é o fim do amor.

Imagem pública.

Texto: Marii Freire.

Solidão.

Eu poderia começar falando a respeito de solidão como algo negativo. Pegar a imagem de uma pessoa solitária e inserir aqui, como forma de chamar a atenção. Mas, escolhi uma janela por acreditar que os nossos pensamentos podem ser reeditados para que se possa alcançar uma nova forma de realidade.

Essa interpretação de que solidão é algo que asfixia a alma, nos tornando incapazes, é uma idéia que pode servir de carrasco para alguns. Talvez, para aqueles que intetelectualmente não se sintam capazes, ela possa parecer um monstro. Já para os que valorizam essa forma de liberdade é muito boa, porque a idéia de solidão faz com que o individuo alcance uma realidade interior, nunca alcançada por exemplo, se ele estivesse rodeado de pessoas.

A maior dificuldade para lidar com pensamentos negativos, talvez em relação a isso, seja o desprezo ( o que causa fobia), mas não é necessariamente, esse o caso. Quando se precisa tomar uma decisão importante se afastar de pessoas, de barulho e tudo o que atrapalha, e ficar um pouco ‘enclausurado’, digo pouco, fazendo referência, ali por um determinado tempo consigo mesmo, para dessa forma, trazer a realidade as respostas às quais se precisa. A solidão, diria que é como uma espécie de faxina mental que implica interferir num espaço totalmente ocupado, porém sem serventia. E o reorganizar da mente começa por essa liberdade de se desfazer daquilo que ja não tem o porquê de se fazer presente, e fica na mente como uma espécie de obstrução naquele espaço, causando as vezes até depressão, fazendo com que se tenha neuroses. A mente é isso, ela acaba tendo esse poder de trabalhar o lado ruim, as vezes, torna-se doentia. Ppr isso, é esse espaço reservado as nossas interrogações.

Todavia, é importante que não nos tornemos reféns das circunstâncias, bem como, pensamentos cativos. Não, a solidão tem um poder criativo, onde dependendo da situação ela funcionar como um estimulo para se produzir. Você pode observar que os grandes intelectuais, eles precisaram e souberam usar a solidão como uma grande aliada para alcançar as suas construções intelectuais. Então, se olhado por esse ângulo, ela vem como forma de subsidiar determinada necessidade. É bom, um pouco de solidão sempre faz bem.

A janela, no caso, vem como essa possibilidade de nos voltarmos ao novo para que esse possa adentrar na mente e se manifestar através do nosso comportamento.

Imagem pública

Texto: Marii Freire Pereira.

Camões

Portugal vivia um período de transformação, ou seja, estava amadurecendo tanto em relação a expansão marítima e comercial , quanto em relação ao povo, a cultura, etc. Mas, no fundo, faltava algo que traduzisse com firmeza essa euforia vivida por conta de todos esses acontecimentos.

Em (1525 – 1580), surge a figura de Luís de Camões, trazendo consigo a resposta de que Portugal tanto precisava. Dentre acabou destacando-se através de seus trabalhos, pela obra épica ‘Os Lusíadas’, que acabou narrando/ traduzindo aí todos os feitos hericos dos Portugueses.

Como foi grande estudioso da cultura clássica, acabou adquirindo uma experiência cultural muito rica, e isso acabou por ajudá-lo na construção de todo o seu conhecimento literário. Mas, a história não para por aí, ele escreveu os seus poemas, além da obra ” Os Luisiadas” que é bastante conhecida por conta do contexto histórico vivido por Portugal, outros trabalhos. E esse foi o diferencial porque acabou fazendo como que o mesmo se tornasse um grande referecial relação a toda aquela trajetória, ou seja, tudo o que Portugal vivia. É por isso , a obra Os Lusíadas é a principal expressão do Renascimento Português.

Sem dúvida, Camões foi um grande nome que que instituiu valores em relação aquele período histórico. Mas, é bom compreender que existem outros trabalhos que podem agregar ainda mais conhecido a respeito desse autor maravilhoso.

Imagem: Luís de Camões retratado em Goa, na Índia de livro pessoal.

Literatura brasileira/2013Ed. Atual.

Comentário: Marii Freire Pereira.

Amor e seu Tempo

Amor é privilégio de maduros

estendidos na mais estreita cama,

que se torna a mais larga e mais relvosa,

roçando, em cada poro , o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto

O prêmio subterrâneo e coruscante,

leitura de relâmpago cifrado,

que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,

salvo o minuto de ouro no relógio

minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,

depois de se arquivar toda a ciência

herdada, ouvida. Amor começa tarde.

Carlos Drummond de Andrade.

(LITERATURA COMENTADA)

Editora : Nova Cultural/ 1990

Imagem: Marii Freire Pereira.

Paciência

Na vida, como devemos medir a paciência? Depende de quanto nos amamos e estamos dispostos a suporta a fragilidade, ou simplesmente, o recuo do outro diante as suas incertezas.

A paciência funciona como um filtro, onde a medida em que o tempo passa, as impurezas vão ficando. Se amo e percebo que o meu parceiro vive um momento de crise, por exemplo, vou deixando ele faça a sua travessia sozinho, de modo a favorecer as respostas que ele precisa encontrar , para depois vir até a minha pessoa e dizer o que se passa, após tempestade. Porém, essa paciência atinge um certo limite. Se vejo que o tempo está passando e a pessoa não conseguir produzir nada de positivo, então diante dessa realidade, eu preciso sair daquela relação. Retirar-me como forma de encaixe do outro. É ele que precisar olhar a sua própria realidade.

Qualquer forma de relacionamento, chega um tempo, em que passa por um desgaste e, tudo muda. O coração muda, o sentimento, o gostar passa por esse filtro também. O importante é observarmos a postura de quem vive ao nosso lado, porque isso afeta a nossa relação, e amor é sempre uma via de mão dupla. Portanto, é necessário que tudo fique muito claro para que não se construía muros, mas pontes, porque aí se anda juntos.

Quando a relação já não faz sentido é bom medir essas impurezas para seguir adiante, seja com o que favorece ou se faz necessário parar. A vida é assim mesmo. O importante é não ter engano. Ser completo, ser sincero. E se tiver que sair (…), que seja pela porta da frente. Sem de repente, ter a necessidade de garantias em torno.

É difícil? É, porém necessário. Ruim é viver na impermanência dos sentimentos, usufruindo de benefícios que as vezes nem é seu. Portanto, a paciência é algo que têm limite. Passa pelo amor, pelas incertezas, precisa -se chegar no cerne da questão, ou seja no coração. E para que isso aconteça é bom que não tenhamos dúvidas, mas certezas.

Não há nada que uma boa conversa, sem contabilizar os prejuízos, não resolva. Quem ama tem paciência? Tem. Tem limites, também. Perdoa, inúmeras vezes. Mas, não há nada mais especial do que ser sincero com quem amamos. Se a relação não resistir aos inúmeros desafios. Abraçar a quem nos fez feliz, e principalmente, abrir a possibilidade dessa pessoa encontrar alguém legal para amar e ser feliz novamente.

Imagem pública. Criação e produção de texto: Marii Freire Pereira.

” Aonde fica a saída, perguntou a Alice ao gato que ria. Respondeu ele: Depende. Depende de quê, replicou Alice, Depende de para onde você quer ir…”

(Lewis Cartoll)

De repente, nós seres humanos que somos, ficamos diante de uma série de restrições por conta dos limites que a vida as vezes nos impõe. E em momentos assim, nada consegue fluir diante da realidade. Aí, se vive um momento de “Alice”. Não no sentido de viver num mundo imaginário, mas o de não ter as respostas necessárias para dados momentos.

É uma situação que na maioria das vezes, acaba nos deixando alienados, uns nas mãos dos outros. É salto infeliz, sim porque não se caminha para tropeçar. Se caminha quase sempre ao desconhecido, mas tropeçar, não.

O ser humano é sempre um ser cativo as suas próprias idéias, as suas escolhas, porque ainda que ele tenha um cuidado com certos detalhes, chega um momento em que tudo torna-se escuridão, e para tentar sair de determinadas situações é preciso saber lidar com as possibilidades de as escolhas, bem como tudo o ela nos oferece.

” Sair, mas sair de para onde?…”

Depende….de que, ou do que? Muitas saídas, dilaceram sonhos. Mesmo assim, é preciso para se contemplar o ” o nascer do sol”. Isso é tão claro. Ir embora, é ir buscar novos lugares, viver outras situações que muitos de nós, nem percebe, mas vive uma vida inteira de ilusão.

A vida é assim, essa crueza toda. Gosto muito dessa palavra. Apesar do desconforto que ela nos causa, é bom esse confronto inteiror…” esvazia”.

O grande problema, é que parte das pessoas não sabem ou se recusam compreender tal necessidade. São geralmente, esses pequenos detalhes que nós empurrar para frente. É só através da dor que nos humaniza ( machuca), que podemos crescer.

Criação e texto: Marii Freire Pereira.