Sabor da infância

Que passos sensíveis damos em direção a criança que fomos outrora.

O adulto que há em nós, se revela uma criança serena quando percorre o quintal da memória.

Quem nunca sentiu falta da liberdade, do gosto de tocar com a planta dos pés, os pingos da chuva?

Ah!..ser feliz é uma questão de escolha.

Quando criança, eu bebia a própria felicidade e não sabia.

Hoje os muitos anos,

Não me trazem a paz que nos meus oito, eu sentia.

Quando crescemos

Sentimos uma saudades sonora do aconchego do lar,

Da casa da avó, do cheiro da avó!..

Do cafuné…

Do doce…

Do prazer com que ela nos recebia.

Quem me dera

Por um dia…sentir tanta alegria!

Que admirável é a riqueza escondida nas pequenas coisas ou porque não dizer na eterna melodia?

Vem!..sinta comigo o prazer da nostalgia.

Do jantar ao puxão de orelha

Do banho de chuva

Ao simples fato de andar descalça,

De tudo, eu teria prazer em reviver um pouco mais ou quem sabe em um dia!…

Da meninice a velhice,

Quem não remexe com orgulho o baú da nossa genialidade? E bote gênio nisso!..

É cada traquinagens, rsrs – nem me venha com rancor.

Desgosto alheio,

Plenitude nossa!

Queria eu escrever entre linhas tortas

Que a felicidade é uma bússola que nos projeta defronte a porta …e assim, caminhamos sozinhos… até ela.

Marii Freire Pereira. Sabor da Infância

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Imagem: Pinterest. nori

Santarém, Pá 12 de Julho de 2020

Clarice Lispector

Quando penso na alegria voraz

com que comemos galinha ao molho pardo

dou- me conta de nossa truculência.

Eu, que seria capaz de matar uma galinha,

tanto gosto delas vivas

mexendo o pescoço feio

e procurando minhocas.

Deveríamos não com elas e ao seu sangue?

Nunca.

Nós somos canibais,

é preciso não esquecer.

E respeitar a violência que temos.

E, quem sabe, não comêssemos a

galinha ao molho pardo,

comeríamos gente com seu sangue.

Minha falta de coragem de matar uma galinha

e no entanto comê-la morta

me confunde, espanta- me,

mas aceito.

A nossa vida é truculenta:

nasce- se com sangue

e com sangue corta- se a união

que é o cordão umbilical.

E quantas morrem com sangue.

É preciso acreditar no sangue

como parte de nossa vida.

A truculência.

É amor também.

Clarice Lispector. Nossa Truculência

https://www.escritas.org

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. gulbenkian.mediadepo.net

Santarém, Pá 12 de Julho de 2020

Tom Jobim

” Ah, quem me dera ser poeta

Pra cantar em seu louvor

Belas canções, fazer poemas

Dizer frases de amor

Infelizmente, como eu

Não aprendi o A- B- C

Faço sambas de ouvir pra você

Depois de muitas frases lapidar, eu percebi

Que as rimas que eu preciso, essas rimas

esqueci

E que o verbo amar não se conjuga sem você

Eu faço sambas eu nem sei mesmo porque

Depois de muitas frases lapidar, eu percebi

Que as rimas eu preciso, essas rimas

esqueci

E que o verbo amar não se conjuga sem você

Eu faço sambas pra você

Eu faço sambas eu nem sei

Eu faço sambas de ouvido pra você…”

Tom Jobim. Ah, Quem Me Dera.

https:// m.letras.mus.br

Marii Freire Pereira

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Imagem: Pinterest. Viagem pelo Mundo

Santarém, Pá 11 de julho de 2020

Por que as pessoas costumam mentir com frequência?

Por que as pessoas mentem com uma certa frequência? Quando digo as pessoas, também estou dizendo que nos dois: ‘eu e você’ estamos presentes nessa questão. Ora, às pessoas mentem para conseguir obter de forma repentina o resultado de suas pretensões, o que jamais ocorreria, se elas falassem a verdade. Portanto, é medo da reação negativa que na maioria das vezes, às fazem mentir

Quem mente, mente por um motivo que é tirar proveito de uma situação. Às vezes, ocorre que o motivou dessa mentira, nem é algo grave, mas por fato de existir um certo receio, a pessoa mente.

“A pessoa que mente, ela age ciente do que faz. Ela não se coloca no lugar de quem perde, pelo contrário, diante de uma situação que comporta a mentira, só se projeta os ganhos. Na verdade, eu costumo dizer que é um ganho com ” prazo de validade “, porque uma hora, querendo ou não, é preciso falar a verdade.”

É possível justificar uma mentira? Depende. Se existe o foco de uma tensão de modo que isso seja extremamente grave, sim é possível. Eu posso mentir e lá na frente querer corrigir isso. A ” via” pode ser dolorosa, mas se o fato, que me fez mentir é algo que me incomoda, ou seja, não está de acordo com a minha índole, e o meu desejo é ser inteiro ( a) diante daquelas situação que precisei mentir, então não me resta outra alternativa senão, ter uma atitude genuína diante de quem obtive um ” ganho traiçoeiro “. A verdade é que até os psicopatas têm o desejo de mudar. Mas que fique claro, o ‘desejo’ em si. Agora mudar é outra realidade. O fato é que a mentira sempre trás decepção. E ela não nasce de agora, até Judas decepcionou Jesus ao expor a sua traição.

O ser humano não é diferente. Ele age conforme as suas necessidades. O grande problema, dar-se pelo fato de existirem pessoas que mentem tanto que é difícil conviver com aquilo que não sabem gerenciar a respeito de suas vidas.

É possível ser tolerante e ao mesmo generoso com que nos mente? Se até Jesus foi, quem somos nós, para dizer não?! Acredito que, dependendo do grau de importância que a pessoa tenha em nossas vidas, é possível. Agora, têm quem não tolere a mentira aqui, mas lá na frente, encontre alguém que minta com tanta perfeição, que sim, essa mentira entra ‘ aveludada’. A verdade humana nunca é pura, mas acredito é preciso saber dosar cada situação com o cuido que ela merece. Se você é do tipo que não comete ou mesmo, admite falhas inadmissíveis, procure ser mais flexível, porque perfeito, só o Criador.

A verdade é que existem limites que devem ser respeitados. Todo ser humano gosta de ter uma ligação de confiança como outro. O problema é que nem sempre isso é possível. Muitas relações, seja, amor, amizade, trabalho e outras, acabam quando se extrapola esses limites. Mentir é sempre uma questão de escolha. A única coisa que ela macula imediatamente é a sua reputação. Se você enxerga numa oportunidade a ocasião ideal de mentir, você pode. Agora, não deve esbravejar quando vier se tornar uma vítima daquilo que em outra ocasião, você não viu problema nenhum.

“Em relação a mentira, nós somos vítimas e vilões. A verdade é que ninguém é totalmente inseto da mentira…”

Qualquer pessoa pode mentir por necessidade, assim como, por falha no caráter. Mas, se você é do tipo que não se amedronta e prefir falar a verdade. Isso é ótimo. Poucos são os que agem dessa maneira. Assumir uma postura firme depende muito do processo de formação do caráter de cada um.

Há um ditado popular que diz que a ‘ mentira tem pernas curtas’. Tem. Um dia ou você a reconhece ou a esperteza aparece. Se ela aparecer fique ciente que as decepções nos abandonam à medida em que as evitamos. Se você cativá-las, elas lhe farão companhia. Portanto, evite os pequenos desvios da vida, melhor: não tome caminhos secundários porque em geral, estes, nos conduz a um final cheio de lamentações. Procure ser honesto mesmo diante do que machuca, assim, nunca viverás em cativeiros oriundo de suas ações.

[…]

O que desejo dizer a você é o seguinte: procure errar menos para viver de modo pleno consigo mesmo (a). Às vezes, a vida esfacela e não compreendemos o porquê. O porque muitas vezes cabe num pequeno detalhe. ” O choro não pleiteia com a desculpa, o sonho de criança que nos temos”. Eu inseri a palavra criança justamente no final desse texto porque elas não inventam desculpas, mas falam a verdade.

Marii Freire Pereira

Imagem: SignificadodossonhosOline

Santarém, Pá 11 de Julho de 2020

No limite

Na vida precisamos superar os nossos medos sem perder o controle de tudo. Nem sempre é fácil, mas viver no limite nos faz enxergar muita coisa, discutir muita coisa. Dependendo da circunstância, você se torna filósofo e psicológico de si mesmo. Passa a atuar sobre os seus traumas, medos, obsessões e tudo mais.

Eis a vida!..

Eis a existência, o encanto e o retorno à realidade.

Às vezes, a vida se mostra fantástica, às vezes, conflituosa. Ora, depressiva, ora conformista, um dia plena, outro puro caos. Todavia, o importante é colocar no limite o que é preciso, o que nos faz sermos juízes da rebeldia. É ela, a rebeldia que determina o quanto somos capazes.

Admiro quem não se rende, mas que debate e expressa opiniões contudentes de si mesmas. Essas pessoas são verdadeiramente fortes, porque não fogem de seus dramas, pelo contrário, têm grandeza, não por serem inatingíveis, mas por saber lidar com eles. É a experiência que lhes prepara o caminho (…), e através desta, torna-se sábias…diante de suas próprias dificuldades.

É preciso sermos resilientes para conseguir lidar com elas. Pois, dependendo do grau de nossa adaptação, podemos adquirir a capacidade de suportá-las ou não. O importante é saber que cada um de nós, como diz a letra do Renato Teixeira e o Amir Sater ( Tocando em Frente) carrega o dom de ser capaz…de ser feliz…”. Portanto, façamos a nossa parte.

Nem sempre os obstáculos é o que nos faz desistir, mas a nossa maneira de interpretar os nossos problemas. Se bem o fizermos, serem não só líderes de nos mesmos, mas aprendizes de nossos eternos questionamentos. A insegurança não nos permite ter as respostas das quais precisamos diante dos dissabores da vida, mas foco e determinação é uma linha reta.

[…]

Seja você… capaz!

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Pinterest. De tudo um pouco

Santarém, Pá 11 de julho de 2020

Fernando Pessoa

Grandes mistérios habitam

O limiar do meu ser,

O limiar onde hesitam

Grandes pássaros que foram

Meu transpor tardo de os ver.

São aves cheias de abismo,

Como os nossos sonhos as há.

Hesito se sonho e cismo,

E à minha alma é cataclismo

O limiar onde está

Então desperto do sonho

E sou alegre da luz,

Inda que dia tristonho;

Porque o limiar é medonho

E todo passo é uma cruz.

Fernando Pessoa. Grandes Mistério habitam. ( Nota expectativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor). Lisboa. Ática, 1942.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Maria Inês Oliveira

Santarém, Pá 11 de Julho de 2020

Cruz e Sousa

” Do Sonho as mais azuis diafaneidades

Que fuljam, que na Estrofe se levantem

E as emoções, todas as castidades

Da alma do Verso, pelos versos cantem.

Que o pólen do ouro dos mais finos astros

Fecunde e inflame a rima clara e ardente…

Que brilhe a correção dos alabrastros

Sonoramente, luminosamente.

Forças originais, essência, graça

De carnes de mulher, delicadezas…

Todo esse eflúvios que por ondas passa

Do Éter nas róseas e áureas correntezas…”

Cruz e Sousa. Antífona. ( Poesias completas de Cruz e Souza, cit, p.13

Literatura brasileira: William Cereja e Thereza Cochar. Atual. São Paulo, 2013

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Imagem:Pinterest. flower-food.braidshairstyles. XYZ

Santarém, Pá 11 de Julho de 2020