Maria Bethânia

” Quem me chamou?

Quem vai querer

Voltar pro ninho

Redescobrir seu lugar…

Prá retornar

E enfrentar o dia a dia

Reaprender a sonhar…

Você verá que é mesmo assim

Que a história não tem fim

Continua sempre que você

Responde ” sim”

A sua imaginação

A arte de sorrir

Cada vez que o mundo

Diz ” não “…

Maria Bethânia, Brincar de viver

Compositores: Guilherme Arantes.

https://www.vagalume.com.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 5 de abril de 2020

Perdas

” As subtrações da vida, nem sempre são injustas. Claro que perder dói, mas perdas também podem representar ganhos. Nós, não ‘ganhamos’ sempre que ganhamos. Às vezes, se ganha justamente ao contrário, ou seja, quando perdemos. É a vida nos apresentando as suas contradições.

Quem nunca viveu a experiência da mudança, da perda e não aprendeu com ela? Acho muito difícil o ser humano sucumbir as dúvidas, ao desconhecido e depois, não conseguir extrair algo de valioso do dali, digo daquela experiência. Todos nós, independentemente da situação temos histórias para contar, para afirmar que de alguma maneira, mesmo nos momentos em que a vida foi mais exigente, ela nos ensinou aquilo que precisávamos saber.

A pessoa de modo geral, ela só aprende quando sobrevive a queda que a desestabiliza, quando faz com ela olhe com atenção para o que realmente precisa ser descoberto, porque ser humano nenhum é capaz de se tornar uma pessoa melhor, sem olhar para as suas dores, e compreender que essas, são na verdade, uma via de acesso ao crescimento, seja emocional ou intelectual. E ao longo dessa trajetória, você há de concordar comigo que, vários são os momentos difíceis que passamos, e que temos que aprender a lidar com eles. Desconheço o ser humano que não tenha problema, e viva a vida inteira a descansar sem ter um único momento de desconforto. De fato, não existe. O único descanso que é eterno, e que sei até porque a própria palavra sugere descanso é cemitério que do grego, significa dormir, descansar. Nós não, enquanto cheios de vida, temos diversos problemas, bem como, uma infinidade de perdas, mas todas carregam consigo um significado.

Quantas perdas fizeram de você hoje, ser a pessoa que é, que se tornou? Inúmeras, sei que você me responderia assim. E no entanto, você acha que não são significativas? Evidente que são. Talvez, para falar de perdas, algumas pessoas, acabam tendo uma certa resistência, porque machuca. Mas, não há crescimento sem que tenhamos que passar por elas. Claro, no primeiro momento, pode haver uma certa resistência. Mas, depois com a mente organizada, é possível contabilizar o que a vida fez de nós, ou em nós, em determinados momentos. Não tem como não viver, ou não chorar, a gente chora por dentro, é o sentimento, o nosso íntimo que transborda. Às vezes, essas ‘ visitas do passado ‘ faz com que choremos, mas chora mesmo, sabe? Como se diz: chorar com catarro grosso? É, faz um bem danado a alma, depois isso, trás uma paz de espírito inexplicável. A vida é assim, oras que nem colo de mãe, oras que nem

[…]

Eu quero que você entenda que, independentemente do que a vida possa ter lhe tirado, você seja capaz de se perdoar, se recompor e fazer o melhor. Ninguém precisa aprender com a dor, mas temos que respeitar os seus ensinamentos, porque é só através de um choro dolorido que, fazemos nascer o nosso melhor riso.

[…]

Sorria. Mas, sorria com a alma. Se conseguir é sinal que chegou ao ápice da vida.

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, Pá 5 de abril de 2020

Carlos Drummond de Andrade

Na curva perigosa dos cinqüenta

derrapei neste amor. Que dor! que pétala

sensível e secreta me atormenta

e me provoca à síntese da flor

Que não se sabe como é feita: amor,

Na quinta-feira essência da palavra, e mudo

de natural silêncio já não cabe

em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui

nesse objeto mais vago do quenuvem

e mais defeso,corpo! corpo, corpo,

verdade tão final, sede tão vária,

e esse cavalo solto pela cama,

a passear o peito de quem ama.

Carlos Drummond de Andrade, O quarto em Desordem. ( Textos selecionados)

Literatura Comentada.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Google

Santarém, Pá 5 de abril de 2020

Atemporais

Há mais de quatrocentos anos, Shakespeare e Cervantes nos deixou. Porém, suas obras são um clássico da Literatura Mundial. Claro, cada um com sua marca. Shakespeare era dramaturgo e poeta, Cervantes romancista por excelência. A verdade é que, os dois são considerados gênios da literatura, porque dentre outras coisa, essa parte da literatura é provocativa, Portanto, guarda os verdadeiros ensinamentos que aguçar o leitor a querer a ter a curiosidade de mergulhar nesse universo tão encantador que a literatura ofere. São chamados de gênios porque conseguiram atravessar um século e sobreviver a concorrência do mercado. Aliás, o mercado sempre está lançando um produto, seja, livro, seja filme que geralmente, tempo um tempo determinado, assim como, também um público alvo que, consegue ter contato com esse material durante um período. Todavia, esses produtos, acabam ficando um pouco esquecido. Mas, os grandes gênios não, estes, são para a eternidade.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Imagem: Google

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

Solidão

Cada vez mais, é comum observar como as pessoas estão distantes uma das outras. Claro, é algo inclusive, baste comum dentro desse conceito de sociedade moderna, cada um vivendo a sua própria vida. A correria, a falta de afinidade entre as pessoas, o amor, a verdade, tudo isso contribuindo para esse campo da solidão.

A impressão que se tem, é a de que o ser humano vive mais dentro de si, mas é um modo de viver ” amordaçado “, asfixiado dentro dos próprios limites, sem conseguir dividir seus dramas pessoais, seus momentos de desespero com o outro, porque o que se nota hoje nas pessoas, é uma superficialidade muito grande. Elas estão completamente indiferentes, é como se o tempo todo, fizessem uso de uma maquiagem que limita o acesso que era para ser natural entre elas, e não provocar o contrário que é o desamor, a concorrência entre si, fazendo que haja um certo desconforto, porque não dizer, um estranhamento entre elas próprias? A impressão que temos é que se caminha a concorrência, onde a gana as transformam mais do que vencedores, em pessoas fracassadas. Portanto, abandonam aquilo que elas têm de mais bonito que é a humanidade, a empatia, o amor ao próximo. E a questão da própria proteção porque, nso se vê troca. Elas se autoabandonam. Muitas, inclusive diante de situações assim, buscando meios alternativos para se livrar da solidão. Pouco a pouco afundam-se no álcool, drogas, e não suportam a realidade e acabam entrando em depressão.

Algumas pessoas por se sentirem sozinhas praticam métodos autopunitivos, porque se sentem derrotadas, ou seja, não conseguem reagir diante de tanta negatividade. Reclamam da vida, mas descontam os seus problemas em si. É um estado de estresse, aliado ao desespero que faz com elas, sintam prazer dentro dos seus impulsos, bebem, fumam e no final, praticam injustiça com elas próprias. É como se vivessem um momento em que elas não se entendem, ou seja, não conseguem se decifrar.

É muito triste quando a solidão leva o ser humano a praticar coisas que o destrói, que faz com se perca o controle da vida. E depois essa pessoa, tenha que reconhecer que é vítima de suas imperfeições, ou mazelas, como queira.

Alguns entendem que precisam mudar e mudam. E quando não tem ninguém confiável para dividir os problemas, buscam ajuda profissional, não só para se livrar dos vícios, mas também da própria solidão. Já outros, depois de um certo grau de amadurecimento, consegue ter o controle sobre si mesmo, descobrem maneiras diferentes de buscar prazer e, assim, depois de umas belas cutucadas da vida, acabam se transformando em pessoas melhores. E como já escrevi outras vezes, a respeito de solidão, existe sempre o lado bom é o lado ruim dela. Agora, é necessário saber dosar para ter equilíbrio.

Há quem goste de solidão e há quem encontre nela os seus fantasmas. Mas, é importante compreender que ninguém precisa de ninguém para ser feliz. Claro, podemos ter com quem dividir os problemas, mas no final, quem os resolve é você, é ou não é? O amigo só podem acrescentar alguma opinião, mas quem decide, quem constrói os alicerces necessários para alcançar o que quer, é você. Então, seja forte diante de suas crises. Mude o que tiver de mudar, mude de lugar, se preciso. Só não corte as suas asas.

[…]

A maior que liberdade que o ser humano conquista é quando, ele passamos a acreditar capazes, quando dentre outras coisas, compreende que precisa ser justo consigo mesmo. Isso é um ganho. Você pode…

Boa sorte!

Marii Freire Pereira

Imagem pública

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

Carlos Drummond de Andrade.

Em verdade temos medo.

Nascemos escuro.

As existencias são poucas:

Carteiro, ditador,soldado.

Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.

Cheiramos flores de medo.

Vestimos panos de medo.

De medo, vermelhos rios

vadeamos.

Somos apenas uns homens

e a natureza traiu- nos.

Há as árvores, as fábricas,

doenças galopante, fomes.

Refugiamo-nos no amor,

este célebre sentimento,

e o amor falou:chovia,

cantava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo…

Nevava.

O medo, com sua capa,

nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,

meu companheiro moreno.

De nós, de vós; e de tudo.

Estou com medo da hora.

Assim nos criam burgueses.

Nosso caminho: traçado.

Por que morrer em conjunto ?

E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,

Vem, o terror das estradas,

susto na noite, receio

De águas poluídas. Muletas

do homem só. Ajudai-nos,

lentos poderes do láudano.

Até a canção medrosa

se parte, se transe e fala-se.

Faremos casas de medo,

dutos tijolos de medo,

medrosos caules, repuxados,

ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,

com resplendores covardes,

atingindo o cimo

de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,

tanto produz: carcereiros,

edificios, escritores,

este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor.

Os mais velhos compreendem.

O medo cristalizou-os.

Estátuas sabias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,

recuando de olhos acesos.

Nossos filhos tão felizes…

Fiés herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.

Depois da cidade, o mundo.

Depois do mundo, as estrelas,

dançando o baile do medo.

Carlos Drummond de Andrade- O medo

Carlos Drummond de Andrade ( A Rosa Do povo, 1945)

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

O MUNDO É UM MOINHO

” Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anucias a hora da partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Presta atenção, querida

Embora eu saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco a tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor

Presta atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos

Vai reduzir as ilusões a pó…”

Cartola.

https://m.letras.mus.br

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 4 de abril de 2020

Ricardo Reis ( heterônimo de Fernando Pessoa)

Quando há alguma coisa de belo a dizer em vida, esculpe-se; quando há alguma coisa de belo a fazer em alma, faz-se versos. A prosa é para a correspondência quer a correspondência particular, quer a correspondência geral, chamada literatura. A poesia não é literatura: é Arte.

Ricardo Reis, Fernando Pessoa

Revista Prosa e Verso e Arte.

Imagem: via Facebook

VEM comigo!

Marii Freire Pereira

Santarém, Pá 3 de abril de 2020