O valor de [re]conciliar-se consigo mesmo

Com o tempo você descobre que para viver bem, deve se arriscar menos e amadurecer mais. Que aquele ” mulherão ” que a gente sonha se transforma, ‘melhor versão de você mesmo’, acontece aos poucos. Um dia você acorda Maria, no outro, é a Auxiliadora de si mesmo, ou seja, sem a ajuda dos outros, vai suprimindo as suas próprias necessidades, tirando conclusões a respeito da vida, dos textos, do modo de agir de algumas pessoas, até conseguir ter aquela relação harmoniosa com os seus próprios interesses.

Com o tempo, a gente percebe que para ser feliz precisa de pouco. Mas é um pouco que agregar valor, compreende? Você passa a gostar mais das suas escolhas, quando feitas de modo digno. Quando você faz isso, deixa de existir aquela estranheza da dúvida, coisas como ‘ será que o que estou fazendo não é loucura?”. Você deixa de ser menos competitiva, explode menos. Diz-se que ‘a vida melhora com o passar dos anos’. Com este, você entende que para se sentir bonita, não precisa ser uma mulher insinuante. Basta ser natural, fazer coisas como passar a mão no cabelo, sorrir de uma maneira cativante – considere, isso é também uma maneira de chama atenção. Simplicidade gera emoções genuínas. Você não precisa ensaiar a vida. Em relação a essa fase, você vive de forma autêntica. Só quer o que é verdadeiro, já não se encanta por ilusões que os vinte anos nos permite cair em desvarios.

Eu adoro o significado da palavra simplicidade. Sabe, acho que ela pode ser uma grande aliada quando se trata por exemplo, de se enxergar valor em determinadas questões. A simplicidade é capaz de fazer-nos abrir mão dos excessos. Se podemos viver bem sem estes, não há razão para tê-los, se sei que no fundo, aquilo não encontra função que agregar algo de bom, de real na minha vida. Eu só quero ter dela, o principal. Que seja pouco, nas que seja verdadeiro.

Com o tempo se consegue abrir mão de tanta coisa, ou seja, largar velhos hábitos, não sei o seu caso, mas tem pessoas que adoram ter uma casa cheia de gente. Excessos, excessos, excessos. Menos, ‘a vida com menos’ também é boa. De repente, você sente a necessidade de ter menos roupa, sapatos, falar menos frases clichês, são essas coisas que me refiro. Precisamos mesmo é de amor, felicidade, sexo com qualidade. Nada de sexo casual ou como válvula de escape. Nada disso. Há um certo momento da vida que tudo muda. A sua forma de vestir, de pensar, a sua forma de não desperdiçar mais tempo. Veja, que interessante, o tempo é mesmo algo comprometedor, porque o ponteiro do relógio nunca volta pra trás. Então é justamente, em relação a essa parte da vida que você compreende que qualidade vale mais do que quantidade.

Pra mim, a vida depois dos 40 anos, é uma época de [re]organização, digo de saber se reconciliar consigo mesmo. Sabe, fazer coisas como falar sozinho, ouvir a música que você gosta sem se importar com o que outros vão falar. A vida deixa de ser menos trabalhada pelo lado das convenções. Você deixa de querer agradar a todos, assim como deixa também de ser menos ansiosa. Algo que acho bastante interessante nessa fase é gostar da solidão. Gostar da solidão é saber aproveitar a própria companhia.

Com o passar dos anos, acredito que a gente se torna mais verdadeiros. Claro, é um passo que vamos dando ao ‘ aposento derradeiro ‘ como diria Machado de Assis, mas, e uma frase prazerosa da vida. Talvez, a melhor de todas porque você vive pra você mesmo. Eu procuro ser uma pessoa sensata o tempo inteiro, e acho que isso de certa forma, acaba nos favorecendo, porque nos tornarmos mais recíprocos, pessoas genuínas em nossas atitudes. Ninguém enxerga, mas somos.

O tempo é uma coisa extraordinária, você envelhece procurando a primeira pureza ( infância), e parece que nos tornamos mais solidários com as outras pessoas, humanos, sensíveis as suas causas. O tempo é algo inflexível, dá se um jeito aqui, um jeito ali, e aos poucos vamos nos adaptando a ele, claro, obedecendo sempre as nossas exigências.

Marii Freire Pereira

https://pensamentos.me/ VEM comigo!

Imagem ( Autoral)

Santarém, Pá 6 de março de 2021

Publicado por VEM comigo!

Bacharela em direito, Pós graduada em Direito Penal e Processo Penal.

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