Mário de Andrade

A febre tem um rigor suave de tristeza,

E os símbolos da tarde comparecem entre nós;

Não é preciso nem perdoar nem esquecer os crimes

Pra que venha este bem de sossegar na luz pouca luz.

É a nossa intimidade. Um fogo arde, esquentando

Um rumor de exterior bem brando, muito brando,

E dá clarões duma consciência intermitente.

A poesia nasce.

Tu sentes que o meu fluido se aninha em teu colo e te beija

[ na face,

E, por camaradagem, me olhas ironicamente.

Mas estamos sem mesmo a insistência dos nossos brinquedos.

E o vigor suave da febre

Não intimida os nossos corações tranquilos.

Mário de Andrade, Poema da Amiga, XI Textos Selecionados. Editora Nova Cultural. São Paulo, 1990.

Marii Freire Pereira

VEM comigo!

Santarém, Pá 12 de maio de 2020

Publicado por VEM comigo!

Bacharel em direito, cursando Pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal.

3 comentários em “Mário de Andrade

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